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terça-feira, 24 de agosto de 2010

21º DOMINGO DO TEMPO COMUM (22 de agosto 2010)


"Proclamai o Evangelho a toda criatura" Sl 116(Sl 117)

Amigo(a) internauta:

A Palavra de Deus põe em evidência para nós um dos questionamentos que fazemos pelo menos uma vez na vida: "será que seremos salvos?". Em determinadas situações ficamos arrepiados e esse questionamento pode nos incomodar um pouco.
O que se pode ter certeza é que Deus na sua divina providência quer salvar a todos. Para nós ele abre um possível caminho de salvação, que vai se concretizando cada dia através dos nossos gestos. No Evangelho (Lc 13, 22-30), Jesus não responde categoricamente nem sim nem não à pergunta feita: "são poucos os que se salvam?" (Lc 13,23). Tal resposta depende mais de nós do que Deus. Pois Deus não se cansa de se revelar a nós, de fazer tudo o que é necessário para a nossa salvação. Ele nos oferece a salvação na qualidade de dom, um presente, mesmo sem a gente merecer. Contudo esse dom não tira o nosso esforço pessoal, nosso sacrifício e nosso empenho de acolher este dom como conquista. Em outras palavras, Deus faz a sua parte, mas é preciso que também façamos a nossa.
Uma vida folgada, isenta de preocupações, cômoda e tranquila dificilmente pode nos levar à salvação. A imagem da porta estreita sugere que o nosso caminho empenha muita labuta, muito sacrifício por algo que realmente valha a pena, e para o qual a gente deve empenhar o melhor de nós, nossas energias, pensamentos e emoções...
Pois de tudo o que se passa nesta vida, só isso vai restar: nosso amor traduzido em exemplos e a pratica da justiça.
Tem muita gente que pensa que para se dar bem e alçançar a salvação basta a boa vontade e o mínimo de esforço. Ora, numa partida de futebol ninguém ganha o jogo só jogando bem o primeiro tempo. A virada no segundo tempo pode comprometer o resultado do jogo, como foi o caso na nossa selação na copa. Tem gente que acha que não precisa esquentar cabeça no primeiro e segundo tempo, e nos acréscimos finais da vida é que deixa pra realizar aquela mudança radical, quando não deixa pro tempo de prorrogação. E ainda fica achando que Deus tem a obrigação de salvá-lo...
Deus sempre é misericordioso, sempre pronto a perdoar mediante nosso arrependimento. Contudo ele também é justo. Sua misericórdia não obstrui a sua justiça. A salvação será o encontro da misericórdia e da justiça de Deus em nossa vida.
Nisso compreendemos a Carta aos Hebreus (Hb 12, 5-7.11-13) que nos mostra um Deus que nos trata como filhos e filhas. Um pai que não deixa de corrigir os seus filhos para que possam trilhar um bom caminho. Ora, todo pai que se preza como pai, quer sempre o melhor para o seu filho, que ele possa fazer o bem e respeitar o próximo para ser feliz e fazer todos à sua volta muito felizes.
Se Deus age assim conosco, então precisamos deixar com que a sua Palavra seja critério de discernimento e luz que aponta para o caminho que Deus nos indica. Viver a fé no caminho que Deus colocou para nós, significa também gastar e desgatar a vida pela mesma causa de Jesus. Já viu uma vela iluminar sem se consumir? Não é possível! Só se ilumina consumindo. Cristão que é cristão tem que iluminar consumindo seu tempo, sua saúde e suas energias. São muitas as resistências ainda hoje. Alguns dizem: Ah eu não, ajudar na Igreja? Não tenho tempo, não tenho saúde, não tenho saco para aguentar os outros. E assim por diante...
O próprio Senhor nos diz: "Firmai as mãos cansadas e os joelhos enfraquecidos" (Hb 12,12). Só na força de Deus poderemos ser apoio para aqueles que estão mancos, só na fé podemos caminhar e ajudar os outros a trilhar um caminho de salvação.
Algumas vezes fico pensando: em nossa paróquia nunca tem um mês que a gente possa dizer o seguinte - Pessoal este mês não teremos batizados! Todo mês temos batizados! Não estou reclamando de modo algum, mas convido a você a refletir: a Igreja como a barca de Jesus (ou a Arca de Noé), tá sempre acolhendo gente que pelo Batismo, começa a entrar nessa barca. Em certos momentos, quando as tempestades começam a agitar, as ondas revoltas e se aparece um furo na barca, ao invés de consertar, são tantos que depois pulam foram. Enquanto tem colete salva-vida e bóia vão pulando na água. E aqueles que ficam por último, que não tem mais colete e bóia? "Tchau e bença?". Os fiéis hoje não podem ceder a tentação de viver aquela filosofia: "Cada um por si e Deus pra todo mundo!"... Senão a gente vai ter que pensar que Jesus perdeu tempo vindo a este mundo, escolhendo um grupo de apóstolos, instruindo-os pela sua Palavra e exemplo, e depois enviando-os a pregar e a formar comunidades de seguidores para dar continuidade à sua proposta de vida.
Já são inúmeros os que dizem por aí a fora: "Eu não preciso da Igreja. Basta eu e Deus"... Ora, a Igreja continua sendo sacramento universal de Salvação. Ela não é um detalhe apenas. Ninguém se salva sozinho, nossa fé tem um caráter eclesial, comunitário.
É isto o que o Senhor pede hoje de nós: Que sejamos instrumentos amorosos da sua salvação para as pessoas. E que sejamos seus anunciadores (I Leitura) para proclamar a sua Palavra a toda a criatura, Palavra de Vida, Palavra de Salvação!

Nossa Ação de Graças por todos os cristãos leigos e leigas que atuando nas pastorais, movimentos, ministérios e comunidades não medem esforços para desgastar suas vidas pelo Reino!

Reflita nesta semana:

a) Você tem permitido que Deus toque seu coração e sua vida para que a salvação esteja cada vez mais próxima de você?
b) O que você tem feito para ajudar os outros no caminho da salvação?
c) Que testemunho de Igreja você dá? Vive inserido em algum serviço ou ministério na sua comunidade?

FESTA DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA (15 de agosto de 2010)


Querido(a) Internauta

Nós nos alegramos hoje, dia 15 de agosto, pela realização e consumação do mistério pascal de Nosso Senhor na vida de Nossa Senhora. Com a festa da Assunção de Nossa Senhora, a Igreja celebra a entronização de Nossa Senhora no lugar que lhe é devido, onde ela vai ser para nós Porta do Céu, Refúgio dos Pecadores, Arca da Nova Aliança, Espelho da Justiça e tantos outros atributos que nós nos referimos a Ela quando rezamos e cantamos a ladainha durante todos os dias da novena em preparação para a Festa de hoje.
E esta Festa acende para nós e para toda a humanidade uma grande esperança, de que a nossa humanidade continua sendo a estrada fundamental do Evangelho, o caminho para que Deus torne possível a revelação do seu Amor, da sua Palavra que se fez carne em nossa carne, para redimir a nossa humanidade por inteiro. E há aqueles que no dia a dia, dizem: “nós nos valemos nada nessa vida, nesse mundo”... Quem disse que não valemos nada? Deus não fez pouca coisa ao nos criar pra gente se achar tão insignificante e a ponto de não dar valor para a maior obra que saiu de suas mãos, a vida de cada um de nós, na sua particularidade e singularidade que é própria de cada um, que faz de nós realmente pessoas especiais, chamadas a se tornar especiais na vida dos outros. Foi o que aconteceu com a Virgem Maria, alguém que soube interpretar ao longo da vida e da história, esse algo especial contido em seu coração, a ponto de se tornar especialíssima para o mundo inteiro, sendo aclamada e reconhecida por nós como bendita e bem-aventurada entre todas as mulheres que passaram por este mundo.
Ela que não é tida por nós nem como deusa, nem semi-deusa, mas uma criatura que soube encontrar em Deus a perfeição e nos chama a seguir o mesmo caminho, assumindo o seu modo de viver, o seu testemunho, para que possamos continuar acendendo ao mundo não só a esperança, mas também a fé, que nos faz reconhecer a ação providente de Deus, mesmo diante das situações difíceis e inevitáveis que vão fazendo parte do nosso cotidiano. Por isso essa imagem do livro do Apocalipse, daquela mulher grávida que sofre não só as dores do parto, mas as dores da perseguição. E nesta imagem do Apocalipse, concebemos a imagem da Igreja, que nos primeiros séculos vivendo a perseguição por parte daqueles que queriam oprimir e sufocar a fé em Jesus, se mantém firme em Deus contando com a sua ação providente. No coração da Igreja, contemplamos a feição de Maria, a escolhida, mas não a privilegiada.
Muitas vezes pensamos que por ter sido escolhida, Maria teve maiores privilégios que os comuns dos mortais. Não é bem assim não! Maria fez de sua vida um contrato de riscos, diante de tantas situações que ela viveu, inclusive quando no episódio da perda de seu filho no tempo, ela sente a dor da perda maior do seu filho até chegar a perda do seu filho aos pés da cruz. Um coração confiante, cheio de fé, mas sempre traspassado pela espada da dor. É ela que nos ensina a percorrer na vida um caminho de alegrias e dores.
Como os santos na Igreja vão dizer: “Caminhamos nesta vida, entre as tribulações do mundo e as consolações de Deus”. Isso quer dizer que mesmo vivendo as consolações de Deus, não estamos isentos do sofrimento e dos percalços e das maiores dificuldades que podem aparecer no nosso caminho.
Semelhante a mulher do Apocalipse que ainda continua perseverando diante da dor, porque ela vê no seu parto uma realidade nova, a libertação, assim todos nós cristãos caminhamos sempre pressurosos pelos caminhos deste mundo procurando a satisfação maior de reconhecer a presença de Deus que caminha e faz história conosco, como caminhou com Maria, e no episódio de São Lucas evangelista, nos deixa um grande testemunho pela visita que ela fez à sua prima Isabel, já idosa e necessitada de cuidados especiais. Só alguém muito especial para reconhecer as necessidades dos outros e saber a hora de se fazer especial à outra através do serviço. Às vezes ficamos pensando na vida de Nossa Senhora em tudo o que ela fez e praticou, e algumas se antecipam a dizer: “Mas também, é Nossa Senhora!” É bom ter presente o seguinte o seguinte questionamento: Será que Maria foi especial só porque ela foi escolhida por Deus? Não teria sido o inverso? Ela foi escolhida por Deus por que era especial e não o contrário, foi especial só porque foi escolhida por Deus. Isso faz uma diferença muito grande, pois ensina a nós que no dia a dia Deus não escolhe alguns para que sejam especiais. Na verdade, se Deus escolhe é porque já são especiais. E a sua especialidade é que vai fazer a diferença. É o que fez Maria, nesta visita, nos ensinando o testemunho do serviço, da disponibilidade e da prontidão.
Hoje, encerrando a festa de Nossa Senhora da Piedade, podemos dizer sem medo de errar, que esta festa só pode atingir o seu êxito através do serviço de tantas pessoas generosas que há meses estão nessa preparação, trabalhando para que esta festa transcorresse da melhor forma possível. Ouvindo a narração evangélica da visita de Nossa Senhora à Santa Isabel, podemos fazer memória de tantas outras visitas necessárias para culminar nessa visita de hoje: visita de noveneiros na casa das pessoas, arrecadando prendas e donativos para a festa, visita da comissão de festa para ganhar um bezerro, uma doação ou uma prenda que seja, visita da imagem peregrina de Nossa Senhora nas comunidades da Paróquia preparando para essa visita maior de hoje. Se analisarmos, para essa visita muitas outras visitas também foram importantes e especiais para que esta de hoje se tornasse a visita especial de todas as outras visitas.
Assim compreendemos que o serviço para acontecer, é preciso a alegria de um coração servidor, como fez Maria permanecendo com sua prima Isabel, elevando a Deus este cântico de gratidão. Será que somos tão agradecidos a Deus por tudo aquilo que ele faz e proporciona em nossa vida? Pelas visitas que ele faz a nós quer reconheçamos ou não? A maioria das visitas que Deus faz a nós não tem tanto barulho ou estardalhaço, são visitas até anônimas, mas são visitas que não deixam de acontecer. Visitas que nos fazem parar um instante para refletir senão é hora de conversão, de mudança de vida ou atitude, de por a mão na massa e fazer o Reino acontecer.
Nós encerramos a festa de hoje, mas o trabalho continua a Jesus, à Igreja, ao Reino. Não podemos resumir o trabalho na Igreja num dia do ano. Muitas outras visitas vão ser necessárias ainda, para que essa visita de hoje continue produzindo frutos. Nós e vocês, devotos e romeiros, que vieram visitar este Santuário, na verdade são vocês que recebem hoje a visita de Nossa Senhora, pois antes de chegar em casa, ela já chega primeiro. Ela que se antecipa, pois a sua visita é sempre evangelizadora, ela nunca vai sozinha. Ela sempre leva Aquele que é a razão do seu caminhar, da sua chegada e partida: o próprio Jesus. Na visita do evangelho, é Maria caminhando pelas estradas do mundo para levar Jesus. Agora na Assunção, é Maria acolhida na eternidade, no céu sendo levada por Cristo para abrir novos caminhos para que todos um dia, pelo serviço, também possam chegar ao céu.
Façamos como Maria, elevando a ela mesma, modelo de serviço e de servidora, a nossa prece de gratidão a Deus por esta festa de hoje:

Ò Mãe da Piedade e do Serviço, concede-nos a graça de cada dia a mais levar a Palavra de Jesus e que é Jesus aos nossos irmãos, especialmente aos que estão em situação de sofrimento, àqueles que desejam pelo nosso encontro acreditar mais em Deus. Perdoa nossa indisponibilidade, nossa recusa em colocar nossos dons a serviço do vosso Filho. Que a partir de hoje, desta visita e deste encontro convosco, possamos ter sempre a alegria e a vontade de um dia nos encontrarmos convosco.

Rogai por nós ó Senhora da Piedade: para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Homilia proferida pelo Pe. Clemildes Francisco de Paiva
(Missa às 17h30)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM


"Onde está o vosso tesouro, aí estará o vosso coração" (Lc 12,34)>

Amigo(a) internauta

Jesus continua insistindo na liberdade de filhos e filhas de Deus para viver e testemunhar a fé. O apego exagerado aos bens, a ganância e o egoísmo dificultam nossa relação com Deus e com os irmãos. É preciso buscar uma riqueza maior, que nem a traça e a ferrugem podem correr. A fé é esse tesouro valioso e a maior herança que um pai pode deixar para o seu filho.
Celebrando o dia dos Pais, recordamos o exemplo de Abraão, o grande Pai da Fé, que com disponibilidade se põe a serviço da Vontade de Deus: "Sai da tua terra e vai para um terra nova, onde eu indicar". Abraão vê no chamado de Deus uma promessa de vida nova e de bênçãos da parte do Senhor: "Eu te darei uma descendência tão numerosa quanto as estrelas dos céu e as areias do mar".
A Carta aos Hebreus sinaliza para o significado da fé: "a fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se veem". E em seguida, exemplifica, exaltando a grandeza de espírito de Abraão, que não recuou, mas confiou em Deus. Um episódio belíssimo para meditar sobre as consequências da fé é o sacrifício de Isaac. Também nesta situação, a fé de Abraão foi provada e comprovada.
o Evangelho segue na mesma direção, quando Jesus conta a parábola do Patrão que confia aos seus administradores o cuidado dos seus bens e sai para uma festa de casamento. Ao voltar, ele deseja encontrar seus servidores na alegre vigilância e ele mesmo se colocará ao serviço deles. Esta parábola aponta para a iniciativa de Jesus em fazer uma aliança de vida, de fé e amor para conosco. Nós somos a Igreja, vocacionada a se desposar com Ele, o Esposo que dá a vida pela amada.
O Serviço será expressão de vigilância na fé, aguardando o dia da Vinda de nosso Senhor.
Não há outro modo de vigiar senão for na fidelidade ao serviço. Não há prova de fé senão houver a antecipação do coração em se lançar confiantemente nos braços de Deus, sem ter todas as certezas e todas as respostas para o que procuramos ou nos propomos a fazer.
A alegria de servir é o que fortalece a nossa fé. Como ficamos admirados quando no trânsito nos deparamos com pessoas que desrespeitam o direitos dos outros, quantos motoristas, pedestres, ciclistas e motociclistas que agem com falta de educação e indelicadeza para com os outros. Isso assistimos todos os dias. No ônibus, na filas dos supermercados, em diversos ambientes que frequentamos. Automaticamente, vem em nossa cabeça: "Puxa, que falta de educação! Essa pessoa não teve educação de seus pais?". E todos somos unânimes em dizer: "Educação vem do berço!".
Ora, o mesmo ocorre com a fé! A fé também vem do berço. Então porque tem tanta gente que ainda não acordou a sua fé para um compromisso maior com Deus e com a sua Igreja?
Aqui sentimos a grande responsabilidade que os pais tem em tornar visivel e crível a fé que testemunham aos seus filhos.

Para isso, vale lembrar que as nossas atitudes e gestos revelam a nossa fé. No dia dos Pais, nada melhor do que recordar aquela canção "Couro de Boi". Um grande ensinamento para a necessidade da prática do acolhimento e do testemunho da fé.

Por isso, aqui vai uma das histórias que ainda continuam ocorrendo em nossos dias:

Um velho com seus rostos cansados, marcados por rugas profundas pelos anos de muito trabalho e sofrimento. Deu duros todos esses anos para formar seu filho advogado e sentia orgulho por ver seu esforço recompensado, ele estava formado e muito bem de vida.
Não podendo mais trabalhar e com sua esposa já falecida, foi morar com seu filho casado, e com dois netos. Sua vida ali não era fácil, era rejeitado, humilhado, criticado pela sua nora, que não queria ter trabalho ainda mais com um velho que era seu sogro e que ela não sentia o mínimo de afeto.
As brigas entre o casal eram constantes, e o alvo era sempre o velho, que a tudo ouvia, e cada vez mais tentava se isolar quando sua nora aparecia.
Ela tanto fez que o marido para não ter mais brigas tomou uma atitude.
Chamou seu velho pai e disse:
__ Pai tome esse cobertor para o senhor se abrigar e gostaria que fosse embora desta casa, não agüento mais as brigas com minha mulher.
O velho de cabeça baixa e os olhos cheios de lágrimas foi saindo, andando com passos lentos pelo peso da idade.
Ele só pensava onde iria arrumar um asilo para morar, até quando ele fosse se encontrar com sua esposa.O neto menor que tudo ouvia, com os olhos marejados de lágrimas abraça o avô e pediu:
__ Vovô, eu te amo, o senhor pode me dar à metade do seu cobertor?
O velho não entendeu o pedido, mas partiu o cobertor ao meio dando uma parte ao neto.
O menino voltou para dentro de casa e foi direto para onde se encontravam os pais.
Vendo o filho com um pedaço do cobertor perguntaram:
__Filho esse cobertor é de seu avô.
O menino com um olhar triste e cheio de mágua, com o rosto banhado de lágrimas fitando-os falou:
__ Eu pedi metade do cobertor, porque vocês irão ficar velhos e eu vou guardá-lo para lhes dar como fizeram com meu avô.

A partir dessa parábola da vida familiar, o que o Senhor pede de mim?

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

18º DOMINGO DO TEMPO COMUM


"Esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus" (CL3,1)

Amado(a) irmão(ã)

A Palavra de Deus propõe para nós uma reflexão, um verdadeiro discernimento quanto à nossa relação com os bens materiais. Longe de criar uma cultura pessimista em relação aos bens, o Senhor espera que nós possamos descobrir na modéstia e na sobriedade um modo de ser. Enquanto muitos se preocupam com o ter e com o aparentar (o que aparenta ser mas na verdade não é), nós cristãos devemos nos primar pelo SER.
Por isso a 1ª leitura (Ecle 1,2; 2,21-23) vai dizer: "Vaidade das vaidades, tudo é vaidade". A maior vaidade do ser humano é querer colocar todas as suas esperanças e aspirações nos bens materiais. Eles não são sinônimo nem garantia de felicidade.
O Evangelho (Lc 12,13-21) evidencia o quanto que a cobiça e a ganância podem corromper o coração humano. O próprio Jesus vai dizer que "a vida de um homem não consiste na abundância de bens". Jesus conta a parábola do rico insensato que construiu grandes celeiros para armazenar a colheita abundante, pensando assim ter segurança para viver tranqüilamente. Essa é uma grande ilusão pois depois que morrer vai se apresentar de mãos vazias diante de Deus. Como diz o ditado: "Nosso caixão não tem gavetas". E mesmo se tiver, nada levamos conosco.
Para refletir no alcance que esta Palavra tem em nossa vida aqui deixamos uma parábola intitulada "O Rei e as quatro esposas":

AS QUATRO ESPOSAS

Era uma vez um rei que tinha 4 esposas. Ele amava demais a 4ª esposa e vivia dando-lhe lindos presentes, jóias e roupas caras. Ele dava-lhe de tudo e sempre do melhor. Ele também amava muito sua 3ª esposa e gostava de exibi-la aos reinados vizinhos. Contudo, ele tinha medo que um dia, ela o deixasse por outro rei. Ele também amava sua 2ª esposa. Ela era sua confidente e estava sempre pronta para ele, com amabilidade e paciência. Sempre que o rei tinha que enfrentar um problema, ele confiava nela, para atravessar esses tempos de dificuldade. A 1ª esposa era uma parceira muito leal e fazia tudo que estava ao seu alcance para manter o rei muito rico e poderoso, ele e o reino. Mas ele não valorizava muito a 1ª esposa, e apesar dela o amar profundamente, ele mal tomava conhecimento dela.
Um dia, o rei caiu doente e percebendo que seu fim estava próximo, pensou em toda a luxúria da sua vida e ponderou: "É, agora eu tenho 4 esposas comigo, mas quando eu morrer, eu ficarei sozinho... Então resolveu chamar as suas esposas começando por aquela que ele mais tinha todos os seus caprichos. E ele perguntou à 4ª esposa: - "Eu te amei tanto, querida, te cobri das mais finas roupas e jóias. Mostrei o quanto eu te amava, cuidando bem de ti, satisfazendo todos os teu desejos. Agora que eu estou morrendo... tu és capaz de morrer comigo, para não me deixar sozinho? "De jeito nenhum!" respondeu imediatamente a 4ª esposa, saindo do quarto sem sequer olhar para trás. Aquela resposta cortou o coração do rei como se fosse uma faca afiada.
Decepcionado com a 4ª esposa, o rei então perguntou à 3ª esposa: "Eu também te amei tanto a vida inteira, deu-te tantas alegrias e o prazer de conhecer tantos reinos viajando comigo, agora que eu estou morrendo, diga-me com sinceridade: “és capaz de morreres comigo, para não me deixares sozinho? "Não!!", respondeu a 3ª esposa. "Tenho muitos outros lugares para conhecer, sou muito nova e além disso, a vida é boa demais! Quando morreres, eu vou é me casar de novo"... O coração do rei sangrou e gelou, de tanta dor...
Então, mandando chamar a 2ª esposa, disse-lhe: "Eu sempre recorri a ti quando precisei de ajuda. A nenhuma outra pessoa confidenciei tantos segredos e tu sempre esteves ao meu lado. Por isso diga-me, com o coração sincero: “Quando eu morrer, tu serás capaz de morrer comigo, para me fazeres companhia”? Com vontade de mentir, mas olhando nos olhos do rei, disse-lhe: “Sinto muito, mas, desta vez, eu não posso fazer, o que me
pedes!". O máximo que eu posso fazer... é realizar um majestoso funeral, como nunca houve antes". Essa resposta veio como um trovão na cabeça do rei e ele ficou arrasado. Aos prantos, o rei começou a soluçar de tanto chorar.
Em meio aos berros e soluços, uma voz se fez ouvir "Eu partirei contigo e te seguirei por onde fores...”. O rei levantou os olhos e lá estava a sua 1ª esposa, tão magrinha, tão mal nutrida,...tão sofrida. Com o coração partido o rei falou: "Eu deveria ter cuidado muito melhor de ti, ter te amado mais que tudo e mais que todos, enquanto eu ainda podia...".

Na verdade... nós todos temos 4 esposas em nossa vida...
Nossa 4ª esposa são nossos bens, nossas posses, nossas propriedades, nossa riqueza... Quando morremos, tudo isso vai para os outros...
Nossa 3ª esposa é o nosso mundo. Apesar de todos os esforços que fazemos para ter um mundo mais bonito, mais cheio de amor e de paz, nós o deixaremos quando morrermos...
Nossa 2ª esposa são nossa família e nossos amigos. Apesar de nos amarem muito e estarem sempre nos apoiando, o máximo que eles podem fazer é nos enterrar...
E nossa 1ª esposa é a nossa VIDA... muitas vezes deixada de lado... por corrermos atrás da Riqueza, do Poder e dos prazeres do nosso ego... A vida vivida só traz sofrimento e desolação. A Vida que tivemos é a única coisa que sempre irá conosco, não importa onde formos. Como diz o velho ditado, “Da vida só levamos a vida que levamos”...

PARA REZAR:


Nesta primeira semana refletimos sobre a vocação para os ministérios ordenados na Igreja: Diácono, Padre e Bispo. Iniciando o mês vocacional, queremos descobrir a
beleza e a importância deste serviço ministerial na Igreja de Jesus hoje.

domingo, 25 de julho de 2010

17º DOMINGO DO TEMPO COMUM


"Pedi e recebereis, procurai e encontrareis, batei e vos será aberto" (Lc 11,9)

Caríssimo(a) irmão(ã)

A Palavra do Senhor neste domingo nos leva a descobrir a importância e a preciosidade da Oração para a nossa vida cristã. Não raras vezes temos o hábito de transformar nossas orações num pedição sem tamanho, multiplicando novenas pra cá e pra lá. A Oração tem diversos aspectos: súplica, intercessão, pedido de perdão, louvor e agradecimento. Isso quer dizer, que nós precisamos fazer da oração um exercício de intimidade com o Senhor, em todos os momentos e estações da nossa vida.
O diálogo de Abraão com o Senhor, na primeira leitura (Gn 18, 20-32) revela o amor paciencioso de Deus, disposto a dar sempre uma nova chance para o povo corresponder à sua Vontade.
No Evangelho (Lc 11, 1-13), os discípulos manifestam o desejo de rezar. Jesus ensina-lhes a oração do Pai-nosso. Mais que uma fórmula ou oração, Jesus ensina-lhes um novo modo de se relacionar com Deus. Ele rompe com as barreiras e as imagens a respeito de Deus. Ele propõe que seus discípulos criem uma intimidade, uma proximidade com Deus chamando-O de Pai. Jesus fez tudo isso para nos aproximar mais de Deus e nós? Da nossa parte temos procurado experimentar pela oração essa proximidade com o Senhor e o desejo de realizar a Sua Vontade?
Se não tomarmos o devido cuidado, podemos deturpar a oração: Quantas vezes queremos que Deus realize nossas vontades, queremos colocar Deus na palma de nossa mão? A oração é justamente o contrário: é nós que devemos nos lançar nas mãos generosas de Deus e não o contrário.
E qual o valor damos para os momentos de oração pessoal e comunitário? A Celebração da Palavra (Culto), os Círculos Bíblicos, o Ofício Divino, o Terço, novenas, grupos de oração tem sido valorizados como momentos significativos para sentir os apelos de Deus na minha vida? Não raras vezes podemos não dar o devido valor para estes momentos fortes na vida comunitária. E no ambiente familiar nossa família tem dedicado alguns momentos para a oração? Os pais tem ensinado seus filhos a rezar? Estas e outras perguntas devem nos fazer refletir seriamente no valor que damos à oração e no que ela poder realizar na vida de todos nós.
Os místicos da oração nos ajudam a compreender a sua eficácia na nossa vida. A santa e filósofa Edith Stein dizia: "no diálogo de uma alma com Deus germinam as grandes idéias capazes de transformar o mundo". Já pensou que poder de transformação tem a oração. Ora, se queremos ver transformados o nosso mundo, a nossa família e inclusive o nosso ambiente de trabalho, tal transformação começa através da oração.
E o Santo Cura D'Ars, São João Maria Vianney, dizia "conheço uma força mais poderosa que Deus no mundo - a oração". De fato, Deus se derrete diante de uma alma suplicante. Deus se desmancha de amor quando nos entretemos com Ele pela oração.
Abramos o coração para experimentar o amor de Deus e o seu convite para permanecer sempre na sua presença pela oração e para que Ele continue sendo Deus em nós...

sábado, 24 de julho de 2010

16º DOMINGO DO TEMPO COMUM


Irmão(â) Internauta
A Palavra do Senhor hoje nos convida a praticar a hospitalidade, reconhecendo na pessoa do outro o Deus que vem nos visitar. O exemplo de Abraão (Gn 18,1-10a), que deixou seus afazeres para se colocar a serviço dos seus três hóspedes nos ensina que a gratuidade deve ser o cartão postal na vida do cristão. Acolher é evangelizar!
Num mundo cada vez mais agitado e corrido, precisamos restaurar a cultura das visitas. Muita gente não sente bem em visitar ou em ser visitado, porque acha que está dando trabalho ao outro. Isso não é verdade! As visitas renovam a gente, mostram aquilo que é importante para nós: a amizade, o carinho, o companheirismo que vemos retratado nos olhos daquele que nos dá a alegria da sua visita.
No Evangelho (Lc 10,38-42), Marta corre para acolher Jesus que vem visitar sua família. Ao entrar em casa, Maria põe se aos pés de Jesus para ouvir sua Palavra, e Marta continua a correria enfronhando-se nos serviços da casa. As duas personalidades mostram a necessidade de equilibrar as dimensões da nossa vida: ação e contemplação, pastoral e espiritualidade, compromisso e oração.
Para acolher a Palavra de Deus é preciso afinar nossos ouvidos e silenciar nossas preocupações que nos distraem e tiram de nós o sabor de ouvir a Palavra do Senhor.
Hoje cometemos um grande erro de quer escutar o que a gente quer ouvir. Nem sempre escutamos o que a gente precisa escutar, escutamos o que queremos. Se não nos agrada, mudamos de estação (de rádio, de programação, etc...). Facilmente podemos fazer isso no terreno das relações humanas. Educar os nossos ouvidos é a primeira atitude para aquele que deseja trilhar no discipulado de Jesus.
Outra atitude nos advém da seguinte parábola: Existiam dois lenhadores: um novato e o outro mais velho. O iniciante resolveu apostar com o outro quem era o melhor lenhador, quem rachava mais lenha. Os dois combinaram juntos de acordar cedo e começar na mesma hora, de manhãzinha, a cortar a lenha. Aquele que tivesse o maior monte de lenha ao final da semana seria o melhor lenhador. A disposição deles era impressionante, porém o lenhador mais velho tinha o hábito de dar uma “paradinha” de vez em quando. E o outro não parava um minuto, quase não arrumava tempo para descansar, para almoçar direito. O mais velho, várias vezes ao dia, dava um pequeno intervalo, parava de cortar lenha. Ora fumava um cigarrinho de palha, ora tomava um cafezinho e assim foi a semana inteira. O outro lenhador percebendo a atitude do colega pensou: dessa forma vai ser fácil, pois eu não preciso parar e vou vencer. Ao final da semana, quando o sol se pôs, o lenhador que não parou de cortar lenha foi até o outro e perguntou admirado: - Como você cortou mais lenha tendo parado várias vezes? O lenhador experiente respondeu: Quando eu parava o trabalho eu descansava um pouco e enquanto eu descansava eu afiava o meu machado. Diante disso o inexperiente lenhador percebeu o quanto foi difícil seu trabalho, pois não descansava e nem afiava seu machado. Isso resultou numa perda maior de suas energias, um cansaço bem maior e a perda do rendimento do seu serviço.
Assim hoje na Igreja sentimos o mesmo peso, quando não damos trégua para os nossos serviços e nos entregamos à correria frenética do mundo que corre mais depressa que os ponteiros do relógio.
Quantas vezes a gente escuta outros dizendo para nós: "Vamos pra Igreja rezar!", "Vamos participar do Círculo Bíblico na casa do fulano", "Vamos rezar a novena na casa de Cicrano", "Vamos pra Missa", ... "pra Celebração da Palavra na Comunidade" ... e a gente sempre ouve a resposta dos outros: "Agora não. Não posso. To cheio de trabalho, tenho muito serviço. Não vai dar. Quando eu tiver tempo eu vou". Mal imaginamos que quando dissemos estas coisas nós estamos recusando a parar os trabalhos para afinar o nosso machado, para depois voltar com mais empolgação e com mais energia ainda.
Pense bem no que a Palavra do Senhor pede pra você em sua vida...
Responda pra você mesmo:

1) Como frear o nosso ativismo hoje? As cidades não param de trabalhar, as pessoas não param para descansar, para aproveitar o tempo de lazer, o tempo com a família, o tempo para Deus e para a comunidade. Que atitude precisamos tomar?
2) Tenho dado atenção especial às visitas? Visito as pessoas e tenho tido alegria em receber os outros?

Deixe a Palavra de Deus visitar todos os espaços da sua vida e do seu coração...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

15º DOMINGO DO TEMPO COMUM





"A Palavra está perto de ti, em tua boca e em teu coração" (Dt 30,14)

Amigo(a) Internauta

A Palavra de Deus vem questionar o nosso agir cristão no mundo pedindo de nós um amor zeloso capaz de se solidarizar sobretudo com os mais necessitados, manifestando nossa misericórdia e compaixão.
Na 1ª leitura, o autor do Deuteronômio nos mostra que a Palavra de Deus não está distante da gente. Nem acima no céu nem do outro lado do mar, mas em nossa boca e em nosso coração. Então, por que distanciamos a Palavra de Deus da vida? Ou divorciamos a Palavra da prática cristã?
Esse distanciamento se torna mais evidente quando vemos concretamente nossa realidade: "coisas que são normais estão ficando anormais e coisas anormais estão se tornando cada vez mais anormais".
Um exemplo: Há pouco tempo ainda se ouvia na mídia a história de "um homem achou uma mala de dinheiro no aeroporto e este senhor só sossegou depois que achou o dono entregando-lhe tudo"... Ora não é que este ato deixou muitos expectadores de queixo caído? Uma raridade nos dias de hoje dizem as pessoas na rua. Não deveria ser uma raridade e nem as pessoas se assustarem. Deveria ser algum comum e natural de se acontecer a cada dia...
E os fatos recentes com as notícias de violência e assassinato que os notíciários estão veiculando com as mortes da advogada Mércia e da Modelo Eliza Samudio. A repercussão que esses fatos estão tendo em nossos lares e a apuração dos fatos nos deixam arrepiados. E aí a gente se pergunta? O que falta às pessoas para que esses fatos não aconteçam mais? Será que a Palavra de Deus está ficando tão estranha assim ao ser humano? As coisas simples e normais, cada vez mais raras e as coisas anormais, cada vez mais normais? Como frear isso?
Já no tempo de Jesus, coisas anormais pareciam ser normais. Através de uma parábola Jesus muda a mentalidade, ao relatar que um judeu espancado e caído à beira do caminho foi visto mas não recebeu ajuda de um sacerdote e de um levita. Como um judeu não é capaz de reconhecer outro judeu caído no chão, condenado à morte se não houver socorro? Essa anormalidade é questionada por Jesus quando aquele Mestre da Lei o interroga (Lc 10, 25-37): "E quem é o meu próximo?". Não era um ignorante que nada sabia, mas um especialista da Lei que tinha dificuldades em compreender quem era o seu próximo. Bem disse o poeta: "O essencial é invisível aos olhos". Jesus não responde objetivamente, mas exemplifica através da parábola do bom samaritano. Desta vez, Jesus responde mostrando que a verdadeira lei quebra os preconceitos e barreiras que nós mesmos criamos nos distanciando de Deus e dos outros. Próximo não é aquele que eu escolho, posso eleger segundo meus critérios. Próximo é aquele a quem eu me fizer próximo. Próximo é aquele cuja dignidade foi ferida e pisada e necessita do meu gesto para ser reerguida.

Independente das circunstâncias em que estamos vivendo hoje. É o Senhor quem nos pergunta: E aí, já descobriu, QUEM É O SEU PRÓXIMO HOJE?

sábado, 10 de julho de 2010

FESTA DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO


Amigo(a) Internauta

A Igreja celebra a memória dos apóstolos Pedro e Paulo. Aquele que outrora era balançado pelos ventos e pelas ondas do mar, quando pescador, foi chamado por Jesus para se tornar rocha, pedra viva da sua Igreja, sobre a qual se erguerá a fé de tantos e tantas que se colocarão no seu seguimento. Paulo, homem culto e de fibra, que não foi chamado por Jesus, mas pessoalmente se intitulou apóstolo de Jesus, pela radicalidade com que assumiu a sua missão de levar a Palavra do Senhor a todos os confins. Não é à toa que ele é considerado como o apóstolo dos gentios (pagãos) enquanto que Pedro é considerado o apóstolo dos judeus.
Pedro e Paulo nos encorajam a abraçar hoje a nossa missão. Segundo o relato de At 12, 1-11, mesmo na prisão, Pedro não perde o folego e o desejo de anunciar Jesus. Ele tem consciência de que a Palavra não pode ficar algemada, por isso, ele confia na ação libertadora de Deus que age em seu favor, libertando-o do cárcere e fortalecendo-o no caminho do testemunho e do anúncio.
Paulo também nos dá um grande exemplo de permanecer na fé, mesmo diante das resistências. A perseverança de Paulo e o seu vigor animam os fiéis a seguir o Senhor, mesmo diante das tribulações. O testamento espiritual de Paulo, na Carta a Timóteo (2Tm 4,6-8.17-18) nos indica um caminho de vitória, se Cristo for a razão e o sentido do nosso peregrinar neste mundo.
Em tempos de heroísmo na Copa do mundo de 2010, São Paulo nos propõe correr atrás não atrás de uma taça, mas de uma coroa imperecível, que Cristo dará aqueles que lhe forem fiéis.
Na fé inabalável de Pedro, fé que se solidifica como rocha (Mt 16,13-19), o Senhor quer confirmar a nossa fé numa disponibilidade total ao seu serviço na Igreja. Há muitos ainda que estão na qualidade de expectadores da fé. Já foram batizados, não perdem os sermões ou as palavras de Jesus, mas ainda não se arriscaram num compromisso de vida assumindo um trabalho pastoral na Igreja para ser a extensão dos pés e das mãos habilidosas de Jesus no mundo de hoje.
Cristo quer ouvir do coração de cada um de nós a resposta da pergunta que ele dirige pessoalmente a nós: "E para você, quem sou eu?". É importante a resposta, pois ela selará definitivamente o que o Senhor representa na nossa vida. Só amamos quando conhecemos, não é possível seguir um ilustre desconhecido. O seguimento de Jesus só pode prosseguir se propiciar um conhecimento maior dAquele que nós seguimos, e se este conhecimento for regado a muito amor. Pois quanto mais conhecemos, mais nós O amamos. E quanto mais O amamos, mas nós queremos segui-Lo, dando a nossa vida pela mesma causa pela qual ele deu a sua própria vida.

Celebrando a fé de Pedro e Paulo, celebramos o dia do papa. Rezemos pelo nosso Santo Padre, o Papa Bento XVI, para que possa realizar a vontade de Deus servindo ao rebanho que lhe foi confiado e sendo um sinal da unidade em toda a Igreja.
Se permita questionar diariamente:

Onde está o heroísmo da fé que você deposita no Senhor? O que ele te pede hoje? O que você está disposto a fazer por Ele?

São Pedro e São Paulo, rogai por nós!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

13º DOMINGO DO TEMPO COMUM


"Fazei-vos servos uns dos outros pela caridade" (Gl 5,13)

Nesta semana, a Palavra de Deus aponta para nós as exigências para acolher o chamado de Jesus para o serviço.
A primeira leitura (1 Re 19,16b.19-21) nos relata o chamado que Deus faz a Eliseu. Este deixa a junta de bois e a família para ser anunciador da Palavra de Deus. Este episódio retrata a história de cada um de nós e dos apelos que Deus nos faz. Diante disso, perguntamos: Estou atento aos apelos de Deus? Tenho disponibilidade, generosidade e entusiasmo para me empenhar nas tarefas a que Ele me chama?
A resposta de Eliseu é carregada de significado: imolou uma junta de bois, queimou o arado, assou a carne dos bois e deu-a a comer à sua família; depois, seguiu Elias e ficou ao seu serviço. Quantas e quantas vezes não fazemos festa com o chamado que Deus faz a cada um de nós? Será que nos damos conta do chamado de Deus?
O gesto de Eliseu significa, provavelmente, o abandono da vida antiga, a renúncia à antiga profissão, a ruptura com a própria família e a entrega total à missão profética. Exprime a radicalidade da sua entrega ao serviço de Deus.

No Evangelho (Lc 9, 51-62), Jesus torna evidente que o “caminho do discípulo” é um caminho de exigência, de radicalidade, de entrega total e irrevogável ao “Reino”. Esse “caminho” deve ser percorrido no amor e na entrega, mas sem fanatismos nem fundamentalismos, no respeito absoluto pelas opções dos outros.
Diante dos que se oferecem para seguir, Jesus aponta 3 exigências:
1) Sair da toca, do ninho, do casulo ou até da "casca de ovo" para poder segui-lo. Isso significa renunciar a qualquer tipo de acomodação, privilégios, seguranças para colocar a confiança n'Ele. Sem essa liberdade, é impossível servi-lo, pois sempre estará escravizado a algo.
2) Libertação em relação aos costumes, leis ou tradições para se comprometer radicalmente ao discipulado de Jesus. O Reino pede um serviço pra hoje, que não pode ser relegado para amanhã.O segundo diálogo sugere que o discípulo deve despegar-se desses deveres e obrigações que, apesar da sua relativa importância (o dever de sepultar os pais é um dever fundamental no judaísmo), impedem uma resposta imediata e radical ao Reino.
3) O terceiro diálogo sugere que o discípulo deve despegar-se de tudo (até da própria família, se for necessário), para fazer do Reino a sua prioridade fundamental: nada – nem a própria família – deve adiar e demorar o compromisso com o Reino. A liberdade em relação à família é condição para abraçar uma opção de um amor indiviso.
Com estas exigências, fica claro que o caminho de Jesus pede mais que boas intenções. É preciso direcionar a liberdade no rumo do projeto de vida de Jesus: a concretização do Reino na doação da própria vida.

Para refletir na semana:

1) O que é que, na nossa vida quotidiana, ainda nos impede de concretizar um compromisso total com o “Reino” e com esse caminho do dom da vida e do amor total?

domingo, 20 de junho de 2010

12º DOMINGO DO TEMPO COMUM


“Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me”

Amigo(a) internauta,

O Evangelho deste domingo (Lc 9,18-24) lança uma provocação a todos nós que trilhamos na estrada de Jesus: "Para você, quem sou Eu?". Tal como outrora, o Senhor quer saber de nós o que Ele representa e o que Ele significa na vida de todos nós. A resposta é fundamental para que possamos mirar n'Ele o nosso olhar e nossas expectativas.
Como dizia Santo Agostinho: "Ninguém ama aquilo que não conhece". Amamos quando conhecemos e quanto mais conhecemos, mais nós amamos. Na discipulado de Jesus é imprescindível que o nosso amor seja caminho de conhecimento, discernimento e amadurecimento.
Jesus dá a conhecer sua proposta e pede aos seus que renunciem a si mesmos para acolher a vontade de Deus. Isto quer dizer que não basta conhecer Jesus, é preciso tomar parte na sua missão.

Para refletir na semana:

1) Quem é Jesus para você? Qual a importância que você dá a Ele no dia a dia da sua vida?
2) Com que disposição você se coloca para servir a comunidade? Você sabe renunciar suas vontades para abraçar a vontade de Deus?
3) Que significa para você abraçar a cruz de cada dia e seguir a Jesus?

domingo, 13 de junho de 2010

11º DOMINGO DO TEMPO COMUM


Olá querido(a) internauta

Neste domingo, a Igreja nos propõe uma reflexão sobre nossos relacionamentos interpessoais e com relação à prática do perdão, como expressão de amor a Deus e aos irmãos.
O Evangelho lucano (Lc 7,36-8,3) revela o rosto misericordioso de Deus e nos convida a abandonar os preconceitos, rótulos e toda forma de discriminação que nos distancia das pessoas. Na vida eclesial, podemos correr o sério risco de querer julgar ou marginalizar as pessoas que não vivem conforme à fé cristã. Jesus aponta aquela pecadora pública como exemplo de alguém que reconhece nele a fonte da misericórdia, um caminho aberto para a conversão de vida e de mentalidade. A prática da hospitalidade que aquele fariseu não pratica com Jesus se revela no gesto daquela mulher que, aos prantos, banha os pés de Jesus e enxuga-os com os cabelos. Jesus mostra o quanto uma prática de pureza legal pode afastar as pessoas e a insensibilidade pode afastar as pessoas.
Nossa atitude cristã deve se basear na prática do perdão: ter humildade para pedir perdão e saber perdoar os outros dos seus erros. Quantas pessoas passam pela vida acumulando mágoas, ressentimentos e sofrimentos. Um coração pode amar se vive constantemente inflamado pelo ódio ou pelo ressentimento. Nosso coração foi feito para amar, não foi feito para outra coisa a não ser amar.
O arrependimento do rei Davi, de que nos fala a I Leitura (2Sm 12,7-10.13), ao tomar consciência do pecado cometido nos revela a necessidade de fazer um exame de consciência para repensar nossos atos. A misericórdia divina, se permitirmos, pode penetrar o mais profundo do nosso ser e nos transformar em criaturas novas.

SOMENTE UM CORAÇÃO RECONCILIADO É PLENAMENTE LIVRE PARA VIVER E PARA AMAR!!!

domingo, 6 de junho de 2010

10º DOMINGO DO TEMPO COMUM


6 de junho de 2010

"e Deus visitou o seu povo" (Lc 7,16).

Com estas palavras, meu amigo(a) internauta, a multidão reconhece a presença libertadora e a ação solidária de Jesus que interrompe aquele cortejo de morte dando um novo direcionamento.
O Evangelho de São Lucas hoje nos apresenta dois cortejos: um de vida e outro de morte. O de vida: Jesus entrando na cidade de Naim com seus discípulos. O de morte: A viúva acompanhada pela multidão enterra todas as suas esperanças, seu único filho.
Dentre as classes mais desfavorecidas e marginalizadas no tempo de Jesus e na história do Povo de Deus, estão as viúvas e os órfãos, os quais não tinham ningúem para servir-lhes de amparo. No caso do Evangelho, uma situação mais dramática: o filho único de uma viúva morre e junto com ele todas as suas esperanças. Ela não tem mais ninguém. Diante dessa dolorosa realidade, Jesus se aproxima, toma a iniciativa de consolar a pobre viúva, toca o caixão e pelo poder da sua Palavra dá uma ordem àquele que estava morto: Levanta-te! Tudo isso, movido pelo sentimento de compaixão.
As palavras de Jesus nos põem de pé, elas tem o poder de nos aliviar em nossos sofrimentos.
Uma situação semelhante é a da Primeira Leitura (1Rs 17, 17-24): O profeta Elias visita a casa de uma viúva em Sarepta que chora as suas tristezas e abre o coração para ele. Seu filho muito doente veio a falecer e ela tem nos lábios uma revolta semelhante àquela que comumente vemos naqueles que diante dos sofrimentos lamentam a Deus dizendo: "Deus se esqueceu de mim", "Por que eu?", "É castigo de Deus? O que eu fiz para merecer isso?", etc...
Uma coisa é certa: Ninguém de nós passará ileso nesta vida, achando que nunca vai experimentar o sofrimento ou passar por uma dificuldade ou contrariedade. Também não podemos atribuir toda causa do nosso sofrimento achando que vem de Deus. Tem tanta coisa acontecendo hoje no mundo que não dependeu tanto de Deus, mas de nós mesmos e do próprio ser humano: a fome, por exemplo, a dura realidade da violência, guerras, maldades e tantas outras situações.
Agora tem gente que deixa pra acreditar em Deus na hora do sofrimento, e depois quer a cura a todo custo. Se Deus não curar, então eu vou me afastar dele, mudar de religião, etc. Vamos deixar Deus ser Deus? Por que temos a tentação de querer que Deus esteja na palma de nossa mão, se submetendo a todas as nossas vontades?
Diz a leitura, "e o profeta suplicou ao Senhor" (v.21). A oração é a fonte da nossa esperança e exercício de uma intimidade mais profunda com Deus. Devemos ter o cuidado para não transformar nossa oração com Deus numa "pedição sem tamanha". A oração deve envolver todo o nosso ser, a súplica, o perdão, o agradecimento, a intercessão e o louvor são expressão de uma vida orante.
Não fiquemos chateados quando não obtemos êxitos em nossas orações a Deus. Será que o que pedimos é o melhor para nós mesmos? Será que Deus não está querendo nos mostrar algo mais amplo que nossa visão teima em querer enxergar?
Aprendamos com as diversas realidades do sofrimento humano. Procuremos abrir os olhos para tantos cortejos que prosseguem à nossa frente, de mães e pais aflitos, com seus filhos entregues aos vícios, à bebida, às drogas, e que rumam para o túmulo, sem perspectivas de vida e sem esperanças.
Nossos gestos prolonguem a ação misericordiosa e compassiva de Jesus: "Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão". Da etmologia da palavra, com paixão (pathòs = sofrimento), significa sofrer com, sentir na própria pele o que o outro está sentindo, estremecer profundamente pela dor do outro. É esta compaixão que moverá os discípulos-missionários de Jesus de hoje a se tornarem rosto de uma Igreja Samaritana e Misericordiosa que ama e se coloca no caminho de libertação aos que estão sem vida e sem esperança!
E todos haverão de sentir a presença do Deus que continuamente visita o seu povo.

Para refletir:
Esta cena do Evangelho se repete todos os dias:

Há grandes cortejos cheios de mortos, de mortos que andam e se movem, mas não têm vida: É o grande cortejo dos desempregados, dos drogados, dos analfabetos, dos sem-teto, dos terroristas, dos enfermos, dos inválidos... Cortejo que passa todos os dias ao nosso lado e não nos damos conta.

- Ao encontro dele pode e deve ir outro cortejo, formado de pessoas cheias de vida que acompanham Cristo... comprometidas em responder à morte com a vida.

a) Em que cortejo estamos?
b) Que resposta damos aos que caminham no cortejo da morte?

quarta-feira, 2 de junho de 2010

CORPUS CHRISTI: COMO SURGIU ESSA DEVOÇÃO


O nome vem do latim e significa Corpo de Cristo. A festa de Corpus Christi tem por objetivo celebrar solenemente o mistério da Eucaristia - o sacramento do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo.

Acontece numa quinta-feira, em alusão à Quinta-feira Santa, quando se deu a instituição deste sacramento. Durante a última ceia de Jesus com seus apóstolos, Ele mandou que celebrassem sua lembrança comendo o pão e bebendo o vinho que se transformariam em seu Corpo e Sangue.

"O que come a minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.

Porque a minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue é verdadeiramente bebida.

O que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. O que come deste pão viverá eternamente" (Jo 6, 55 - 59).

Através da Eucaristia, Jesus nos mostra que está presente ao nosso lado, e se faz alimento para nos dar força para continuar. Jesus nos comunica seu amor e se entrega por nós.

A celebração teve origem em 1243, em Liège, na Bélgica, no século XIII, quando a freira Juliana de Cornion teria tido visões de Cristo demonstrando-lhe desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque. Em 1264, o papa Urbano IV através da Bula Papal "Trasnsiturus de hoc mundo", estendeu a festa para toda a Igreja, pedindo a Santo Tomás de Aquino que preparasse as leituras e textos litúrgicos que, até hoje, são usados durante a celebração.

Compôs o hino Lauda Sion Salvatorem (Louva, ó Sião, o Salvador), ainda hoje usado e cantado nas liturgias do dia pelos mais de 400 mil sacerdotes nos cinco continentes. A procissão com a hóstia consagrada conduzida em um ostensório é datada de 1274. Foi na época barroca, contudo, que lea se tornou um grande cortejo de ação de graças.

No Brasil, a festa passou a integrar o calendário religioso de Brasília, em 1961, quando uma pequena procissão saiu da Igreja de madeira de Santo Antônio e seguiu até a Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima. A tradição de enfeitar as ruas surgiu em Ouro Preto, cidade histórica do interior de Minas Gerais.

A celebração de Corpus Christi consta de uma missa, procissão e adoração ao Santíssimo Sacramento. A procissão lembra a caminhada do povo de Deus, que é peregrino, em busca da Terra Prometida. No Antigo Testamento esse povo foi alimentado com maná, no deserto. Hoje, ale é alimentado com o próprio corpo de Cristo.

Durante a missa o celebrante consagra duas hóstias: uma é consumida e a outra, apresentada aos fiéis para adoração. Essa hóstia permanece no meio da comunidade, como sinal da presença de Cristo vivo no coração de sua Igreja.

Fonte: http://www.bethynha.com.br/corpus.htm

ORAÇÃO À TRINDADE SANTA


Bendito sejas, Pai, que em vosso infinito amor nos tem dado a vosso Unigênito Filho, feito carne por obra do Espírito Santo no seio puríssimo da Virgem Maria, e nascido em Belém faz agora dois mil anos.

Ele se tinha feito nosso companheiro de viagem e tinha dado novo significado a história, que é um caminho feito juntos, no trabalho e no sofrimento, na fidelidade e no amor, até aqueles céus novos e até aquela terra nova, na que Tu, vencida a morte, serás tudo em todos.

Adoração e glória a Vos, Trindade e Santíssima, único e sumo Deus!

Faça Pai, que por tua graça o momento presente seja um tempo de conversão profunda e de alegre retorno a Vos;

Concedei-nos que seja um tempo de reconciliação entre os homens e de redescobrir a concórdia entre as nações; tempo no que as lanças se troquem em rosas, e ao fragor das armas sucedam cantos de paz.

Concedei-nos, Pai, viver a cada dia dóceis a voz do espírito, fiéis no seguimento de Cristo, assíduos na escuta da Palavra e na assiduidade as fontes da graça.

Adoração e glória a Vos, Trindade e Santíssima, único e sumo Deus!

Sustenta, Pai, com a força do espírito, o empenho da Igreja em favor da nova evangelização e guia nossos passos pelos caminhos do mundo para anunciar a Cristo com a vida, orientando nossa peregrinação terrena a Cidade da luz.

Fazei Pai, que brilhem os discípulos de vosso Filho por seu amor fazia os pobres e oprimidos; que sejam solidários com os necessitados, e generosos nas obras de misericórdia, e indulgentes com os irmãos para obter eles mesmos de Vos indulgência e perdão.

Adoração e glória a Vos, Trindade e Santíssima, único e sumo Deus!

Fazei Pai, que os discípulos de vosso Filho, purificada a memória e reconhecidas as próprias culpas, sejam uma única coisa, de sorte que o mundo creia.

Outorga que se dilate o diálogo entre os seguidores das grandes religiões, de sorte que todos os homens descubram a alegria de ser teus filhos.

Fazei que a voz suplicante de Maria, mãe das gentes, se unam às vozes orantes dos apóstolos e dos mártires cristãos, dos justos de todo povo e de todo tempo, para que o ano Santo seja para todos e para a Igreja, motivo de renovada esperança e de júbilo no espírito.

Adoração e glória a Vos, Trindade e Santíssima, único e sumo Deus!

A Vós, Pai onipotente, origem do cosmos e do homem, por Cristo, o Vivente, Senhor do tempo e da historia, no espírito que santifica o universo, a Adoração, a honra, a glória, hoje e nos séculos sem fim. Amém!


(João Paulo II)

FESTA DA SANTÍSSIMA TRINDADE



(Domingo, 29 de maio de 2010)

Oração à Santíssima Trindade:

Ó benigna Trindade,
Pai, Filho e Espírito Santo, um só Deus,
ensina-me, dirige-me, ajuda-me
segundo a minha esperança.
Pai, com o teu poder, fixa a minha mente em Ti
e enche-a de santos e divinos pensamentos.
Filho, com a tua sabedoria eterna,
ilumina a minha inteligência
com o conhecimento da suprema verdade.
Espírito Santo, amor do Pai e do Filho,
leva para ti a a minha vontade
e abrasa-a no fogo ardente da tua caridade.
Possa eu, ó adorável Trindade,
louvar-Te e amar-Te tão perfeitamente
como os santos e os anjos!


Louis de Blois (1505 – 1566)

domingo, 23 de maio de 2010

FESTA DE PENTECOSTES




Caríssimo internauta

"Como meu Pai me enviou eu também vos envio... Recebei o Espírito Santo"

Nesta festa de Pentecostes, fazemos memória do quinquagésimo dia em que o Senhor se revela ao Povo da 1ª Aliança, depois que este saiu do Egito para a Terra Prometida. No quinquagésimo dia o Senhor oferta a Lei, os Mandamentos para que o Povo permaneça fiel aos seus desígnios. Para nós, Povo da Nova Aliança, o Senhor oferta o Espírito Santo, qual Mestre, irá recordar e ensinar tudo o que o Senhor Jesus nos disse.
Aqui está o alçance da nossa vida de fé. Segundo Santo Agostinho, não basta ouvir por fora é preciso entender por dentro. E é o Espírito que ilumina os corações para testemunhar com alegria a Palavra de Jesus e o seu amor aos irmãos.
O Espírito é a "alma da Igreja", Ele nos fortalecerá na missão que temos hoje.
Abramos as mentes e os corações para acolher os seus dons. Deixemos que Ele recrie e renove a face da terra.

Oração ao Espírito Santo:

Espírito Santo,
tu és a alma de minha alma!
Adoro-te humildemente.
Ilumina-me,
fortalece-me,
guia-me,
consola-me.
Revela-me quanto corresponde
aos planos de eterno Pai.
Revela-me teus desejos.
Faze-me conhecer o que o
amor eterno deseja de mim.
Faze-me conhecer o que devo fazer.
Faze-me conhecer o que devo sofrer.
Faze-me conhecer o que devo,
em silêncio, modéstia e reflexão,
aceitar, suportar e aturar.
Sim, Espírito Santo, faze-me
conhecer tua vontade e a vontade do Pai,
pois quero que toda a minha vida não seja senão
um contínuo e perpétuo
Sim aos desejos, à vontade do Pai eterno
Amém.

domingo, 16 de maio de 2010

DOMINGO DA ASCENSÃO DO SENHOR


Amigo(a) internauta

"Vós sereis testemunhas de tudo isso" (Lc 24,48)

Com estas palavras Jesus deseja que os seus apóstolos sejam testemunhas da sua paixão, morte e ressurreição. Esta mensagem deverá ecoar no coração dos seus seguidores a fim de tantos outros possam dar uma resposta de fé se colocando no discipulado de Jesus.
Jesus congrega os seus discípulos para que possam ir para Jerusalém, ponto de chegada da sua missão e ponto de partida da missão apostólica e lugar da manifestação do Espírito, qual defensor irá encorajar a comunidade para a missão de anunciar por palavras e obras o conteúdo da mensagem cristã.
A festa da Ascensão do Senhor nos faz refletir no grande significado que a Ressurreição tem para nós Cristãos. A Ressurreição é a resposta de Deus para a humanidade, de que não caminhamos para a morte, mas para a vida, a vida plena que Cristo nos prometeu. A Ressurreição de Jesus é a garantia de que a vida divina vai trazer dignidade nova à nossa pobre humanidade. Já a Ascensão do Senhor é a nossa resposta a Deus de que queremos que a nossa humanidade seja exaltada e elevada aos céus na pessoa de Jesus o primeiro a apontar o caminho da glória pela sua vitória na cruz. Na Ascensão do Senhor é a nossa humanidade que adquire um novo sentido, pois caminhamos neste mundo como Igreja Peregrina para fazer parte da Igreja Triunfante, da qual já participam os santos e toda a milícia celeste.
O papa São Leão Magno dizia: "A ascensão do Cristo é a nossa ascensão; já que o Corpo é convidado a elevar-se até a glória em que o precedeu a cabeça, vamos cantar nossa alegria, expandir em ação de graças todo o nosso júbilo. Hoje, não apenas conquistamos o paraíso, mas, no Cristo, penetramos nos mais altos céus".
Como somos abençoados por Deus, o quanto nossa humanidade é querida por Deus e é caminho de salvação. E ainda há aqueles que costumam dizer para os outros diante de alguma tragédia ou infelicidade: "Nós não valemos nada nessa vida". Claro que valemos sim! Deus não nos fez de qualquer jeito e nem somos pouca coisa para achar que nada vale a pena nesta vida. São Paulo aconselhava os seus contemporâneos em uma de suas cartas quando dizia: "os sofrimentos do momento presente não são comparáveis com a glória futura que será revelada em nós" (Rm 8,18).
Hoje reconhecemos que a Igreja precisa ampliar sua presença nos diversos meios e com as novas tecnologias para ser fiel à missão de Jesus e para que possa cumprir o mandato de seu Senhor. Por isso, celebramos hoje o Dia Mundial das Comunicações com o tema: "O sacerdote e a pastoral no mundo digital: meios a serviço da Palavra". Queremos evangelizar por sobre os telhados e através das novas linguagens do mundo digital. A internet hoje pode ser uma preciosa ferramenta para a missão evangelizadora da Igreja. Que possamos aproveitar estes espaços do mundo virtual para sinalizar a mensagem cristã, sendo Cristo Verdade e Vida para todos.

Gesto Concreto para a Semana:

Hoje iniciamos a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos com o Lema: "Vós sois as testemunhas de tudo isso" (Lc 24,48). Lembremos de rezar uma prece pela unidade de todos os fiéis que professam a fé em Cristo, para que encontrem n'Ele a razão de ser e viver como irmãos e irmãos, membros de uma única família, de um só rebanho tendo o próprio Cristo como Sumo e eterno Pastor.

Rezemos:
Ó Cristo ressuscitado,
no caminho de Emaús foste companheiro dos discípulos.
Fica ao nosso lado na jornada da fé,nos caminhos da vida e em todos os encontros,
promove em nós a compaixão para que possamos acolher outros
e ouvir suas histórias.
Renova o desejo de proclamar tua Palavra.
Que ela nos ilumine e que tenhamos corações ardentes ao dar testemunho dela.
Que o teu Santo Espírito nos ensine a arte de explicar as Escrituras
e abra nossos olhos para te reconhecer.
Dá-nos a coragem de nos tornar vulneráveis
para que nossos irmãos e irmãs possam conhecer-te através de nós
e nós possamos conhecer-te através deles.
Amém.

domingo, 9 de maio de 2010

Homenagem ao Dia das Mães


Um anjo chamado Mãe...

Uma criança pronta para nascer, perguntou a Deus:

- Senhor, dizem que descerei para a Terra amanhã, mas como vou viver lá, sendo assim, tão pequena e indefesa?

E Deus falou:

- Entre muitos anjos, eu escolhi um muito especial para você. Esse Anjo está lhe esperando e tomará conta de você.

A criança, curiosa, continuou:

- Mas, me diga uma coisa, Senhor, aqui no céu eu não faço nada, a não ser cantar e sorrir, o que é suficiente para que eu seja feliz...como será lá na Terra?

E Deus, pacientemente falou:

- Seu Anjo irá cantar e sorrir para você. A cada dia, a cada instante, você sentirá o amor do seu Anjo e será feliz.

A criança queria saber mais e perguntou:

- E como vou entender, quando falarem comigo, se eu não conheço a língua que as pessoas da Terra falam?

E Deus respondeu:

- Com muita paciência e carinho, seu Anjo vai lhe ensinar a falar.

A criança quis saber mais:

- E o que vou fazer quando eu quiser falar contigo, Senhor?

Deus disse:

- Seu Anjo vai juntar suas mãos e lhe ensinar a orar.

A criança, preocupada, perguntou também:

- Eu ouvi dizer que na Terra existem homens maus. Quem irá me proteger dos perigos?

Deus, então, respondeu:

- Seu Anjo irá defender você, mesmo arriscando sua própria vida.

A criança queria saber muito mais e falou:

- Então serei sempre triste porque não o verei mais, Senhor!

Deus disse:

- Seu Anjo sempre irá lhe falar de Mim. Vai lhe ensinar a maneira de vir a Mim. E Eu, sempre estarei dentro de você!

Nesse momento, havia muita paz no Céu, mas, as vozes da

Terra já começavam a ser ouvidas.

A criança, apressada, pediu carinhosamente a Deus:

- Oh, Deus! Se eu este é o momento de ir para a Terra, por favor, me diga...qual o nome do meu Anjo?

E Deus respondeu:

- Você chamará o seu Anjo de: MÃE !



LIÇÃO DE VIDA:

Deus deu às mães o poder máximo de um ser humano: dar a vida.

ELE sabe que as mães são verdadeiros Anjos.

Elas se fazem presentes em cada pedacinho de nossas vidas;

- orientando, ensinando, protegendo, amando...

6º DOMINGO DA PÁSCOA



AMADO(A) INTERNAUTA

"Quem me ama, guardará a minha Palavra"

Estas palavras do discurso de despedida de Jesus na última ceia com os seus apóstolos nos convidam a dar testemunho da sua Palavra e dos seus ensinamentos. Eis o grande testamento espiritual, a herança viva que Jesus deixa para a comunidade dos seus seguidores: amar sem limites, incondicionalmente na mesma direção que ele rumou a sua vida.
Na vida familiar já experimentamos a realidade da saudade e do quanto nossos entes já falecidos significam para nós. Tanto que no baú de nossas lembranças sempre temos algo que nos recorda a vida daquele(a) que nos foi muito caro(a). Uma canequinha que o fulano tomava seu cafezinho, uma música, um pertence seu que depois de sua morte acaba tendo para nós um valor quase que sacramental. Isso nos faz recordar aquele belíssimo livro de Leonardo Boff, "Os sacramentos da vida e a vida dos sacramentos", com a história do toco de cigarro e outras histórias que revelam o quanto alguns sinais nos trazem fresquinhos na memória situações e experiências que vivenciamos com nossos entes queridos.
Há alguns que exageram quando não querem se desfazer dos pertences do falecido(a). E o quarto pára no tempo, porque não se quer mexer em nada com o medo de apagar esse alguém da nossa memória. Diante dessa realidade muitos não querem desfazer de coisas e pertences de seus falecidos, não doam, não passam para frente e prolongam um sofrimento que poderia ser amenizado.
Ora, a melhor forma de preservarmos a memória desses nossos entes queridos não é tanto ficar guardando seus pertences, mas sim perpetuar seus bons exemplos e seu testemunho de vida. Isso permanece e faz a diferença. Um exemplo: Se o(a) falecido(a) fazia caridade, faça também! Se ele(a) amava a família, os filhos e/ou netos e não tinha inimizade com ninguém, faça o mesmo! Se participava da comunidade e tinha em alegria em viver a fé na Igreja, faça o mesmo! Essa é a maior herança que se pode ter e que nem a traça pode corroer.
Sábio foi Jesus, quando deixou para os seus discípulos nada de material, mas um testamento que implicava e continua implicando num exercício diário de amar sem nada esperar em troca. Não deixou bens materiais e nem disse que a salvação se obteria mediante o acúmulo de bens. Jesus oferece o maior bem espíritual que se pode oferecer, a prática do amor e a certeza da presença do Espírito Santo. Este, qual Defensor, irá conceder a sabedoria e o discernimento para que todos possam viver e testemunhar a fé, respondendo ao seu amor que primeiro os amou.
Que paz do Ressuscitado reine em cada coração e que sejamos guiados pelo seu amor para guardar a sua Palavra e os seus ensinamentos, que são para nós Espírito e Vida!


Para refletir durante a semana:
1) O que ainda preciso fazer para que a Palavra de Deus esteja em minha boca e em meu coração?
2) Como respeitar a diversidade e a pluridade na Igreja? O amor que Jesus deixa na forma de testamento tem me ajudado a conviver com os irmãos e irmãs no dia a dia?
3) Faça uma prece ao Coração de Jesus para que o seu amor faça sempre morada em sua vida.

Hoje lembrando o dia das Mães agradecemos a Mãe Igreja que nos gerou na fé pelo Batismo e continua nos gerando no amor através do sacrifício eucarístico de Cristo na Cruz. O nosso amor seja resposta eloquente Àquele que nos amou por primeiro...

sábado, 8 de maio de 2010


Iniciamos o mês de Maio - mês de Maria

Em uma de suas lindas canções, padre Zezinho canta: “Como é bonita uma religião que se lembra da mãe de Jesus”. Para nós, cristãos católicos, maio é considerado o mês de Maria. É o mês da alegria no qual celebramos o dom salvífico de Deus que quis contar com a participação de uma mulher. Antes mesmo do Verbo de Deus se fazer carne, ele já fez morada no coração de uma mulher. Esta é a mulher do silêncio, da obediência, da dor e da alegria no Senhor. Como não lembrar aqui as palavras de dom Bosco quando nos diz: “Sê devoto de Maria Santíssima e serás certamente feliz”.
Estimados irmãos, é no caminho de Maria que aprenderemos tantas virtudes que nos ajudarão a trilhar melhor o caminho da vida. Maria, a escolhida por Deus, a Bem-aventurada, mulher sem mancha de qualquer pecado, a Imaculada, a Cheia de Graça, Mãe do Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo. Mulher humilde que soube ouvir a voz de Deus e acolher sua Palavra: “Faça-se em mim”.

Paulo VI, que dera a Maria o título oficial de “Mãe da Igreja”, desenvolveu o tema na exortação apostólica sobre o culto à Virgem Maria, um dos documentos mais bonitos de seu pontificado. O papa apresenta Maria como modelo da Igreja para quem sabe ouvir e acolher a Palavra de Deus com fé. Esta é uma missão específica da Igreja: escutar, acolher, proclamar, venerar e distribuir a Palavra de Deus como pão de vida. Fala de Maria como modelo de pessoa orante e intercessora. Ora, a Igreja todos os dias apresenta ao Pai as necessidades de seus filhos, louva sem cessar o Senhor e intercede pela salvação do mundo. Fala de Maria Virgem e Mãe, modelo da fecundidade da virgem-Igreja, que se torna mãe, porque, pelo batismo, gera os filhos concebidos pela ação do Espírito Santo. Fala de Maria, que oferece ao Pai o Verbo encarnado, sobretudo aos pés da cruz, onde ela se associou como mãe ao sacrifício redentor do filho.

Deus viu que os homens gostaram muito de Jesus, por isso, resolveu deixá-lo entre nós de maneira mística, na eucaristia. De modo que o podemos encontrar na missa, quando comungamos, ou no silêncio do sacrário das igrejas. Mas Deus também achou um modo de nos deixar Maria. É por meio de cada um de nós, homens ou mulheres, quando a revivemos na sua simplicidade, na sua fidelidade e no seu amor a Deus e ao próximo.

Somente as pessoas simples são capazes de entender Maria e sua devoção, são capazes de rezar o terço diariamente e revivê-la sobre a face da Terra nos dias atuais.

(Fonte: D. Irineu Roque Scherer, Bispo diocesano de Joinville)

domingo, 2 de maio de 2010

5º DOMINGO DA PÁSCOA


Amigo(a) internauta

Durante todo o tempo pascal a Igreja nos faz contemplar o Ressuscitado e o fruto da sua obra: o dom do Espírito, a nossa santificação, os sacramentos que nascem do seu lado aberto, a Igreja, sua Esposa, desposada no leito da cruz…

Hoje, precisamente, é para a Igreja, comunidade nascida da morte e ressurreição de Cristo, que a Palavra de Deus orienta o nosso olhar.

Primeiramente, é necessário que se diga sem arrodeios: Cristo sonhou com a Igreja, a amou e fundou-a. A Igreja, portanto, é obra do Cristo, foi por ele fundada e a ele pertence! Ela não se pertence a si mesma, não se pode fundar a si própria, não pode estabelecer ela própria a sua verdade. Tudo nela deve referir-se a Cristo e a ele deve conduzir! Mas, há mais: não é muito preciso, não é muito correto dizer que Cristo “fundou” a Igreja. Não! A fundação da Igreja não terminou ainda: Cristo continua fundando, Cristo funda-a ainda hoje, ainda agora, nesta Eucaristia sagrada! Continuamente, o Cordeiro de pé como que imolado, Cabeça da Igreja que é o seu Corpo, funda, renova, sustenta, santifica, sua dileta Esposa pela Palavra e pelos sacramentos: “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, a fim de purificá-la com o banho da água e santificá-la pela Palavra, para apresentá-la a si mesmo a Igreja, gloriosa, se mancha nem ruga, ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível!” (Ef 5,25-27). São afirmações impressionantes, belas, profundas:
(1) Cristo amou a sua Igreja e, por ela, morreu e ressuscitou;
(2) pela sua morte e ressurreição, de amor infinito, ele purifica continuamente a sua Igreja, santifica-a totalmente, sem desfalecer. Por isso a Igreja é santa, será sempre santa e não poderá jamais perder tal santidade, apesar das infidelidades de seus membros!
(3) Este processo de contínua fundação e santificação da Igreja em Cristo dá-se pelo “banho da água” – símbolo do Batismo e dos sacramentos em geral – e pela “Palavra” – símbolo da pregação do Evangelho.
Então, Cristo continua edificando sua Igreja neste mundo pela Palavra e pelos sacramentos, sobretudo o Batismo e a Eucaristia. A Igreja não se pertence: ela é de Cristo! E, como esposa de Cristo, é nossa Mãe: ela nos gerou para Cristo no Batismo, para Cristo ela nos alimenta na Eucaristia e de Cristo ela nos fala na sua pregação! Ela é a nossa Mãe católica, desposada pelo Cordeiro imolado na sua Páscoa, como diz o Apocalipse: “estão para realizar-se as núpcias do Cordeiro e sua Esposa já está pronta: concederam-lhe vestir-se com linho puro, resplandecente!” (19,7s).

Pois bem, esta Igreja, tão amada por Cristo, tão nossa Mãe, deve caminhar neste mundo nas dores de parto. Temos um exemplo disso na primeira leitura da Missa de hoje. Paulo e Barnabé vão animando as comunidades, “encorajando os discípulos … a permaneceram firmes na fé”, pois “é preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus”. Assim caminha o Povo de Deus, Comunidade fundada por Cristo e vivificada pelo seu Espírito: entre as tribulações do mundo e as consolações de Deus. Muitas vezes, a Igreja enfrentará dificuldades por parte de seus inimigos externos – aqueles que a perseguem direta ou veladamente, aqueles que desejam o seu fim e, vendo-a com antipatia, trabalham para difamá-la. Mas, também, muitas vezes, a provação vem de dentro da própria Igreja: das fraquezas de seus membros, dos escândalos provocados pela humana fraqueza daqueles que deveriam dar exemplo de uma vida nova em Cristo Jesus. Se é verdade que isto não fere a santidade da Igreja – porque essa santidade vem de Cristo e não de nós -, por outro lado, é verdade também que nossos escândalos e maus exemplos atrapalham e muito a credibilidade do nosso anúncio do Evangelho e a credibilidade do próprio Evangelho como força que renova a humanidade! Infelizmente, enquanto o mundo for mundo, enquanto a Igreja estiver a caminho, experimentará em si a debilidade de seus membros. Assim, foi no grupo dos Doze, assim, nas comunidades do Novo Testamento, assim é hoje. É interessante que o Evangelho de hoje começa com Judas, o nosso irmão, que traiu o Senhor, saindo do Cenáculo, saindo do grupo dos Doze, saindo da Comunidade: “Depois que Judas saiu do cenáculo”… – são as primeiras palavras do Evangelho… E, no entanto, apesar da fraqueza de Judas e dos Doze, apesar da nossa fraqueza, Jesus continua nos amando e crendo em nós: “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros”. Não tenhamos medo, não desanimemos, não nos escandalizemos: o Senhor está conosco, ama-nos, porque somos o seu rebanho, as suas ovelhas, a sua Igreja. Ama-nos e derramou sobre nós o seu amor e sua força que é o Espírito Santo!

Se agora vivemos entre tribulações e desafios, nossa esperança é firmemente alicerçada em Cristo; nele, venceremos, nele, a Mãe católica, um dia, triunfará, totalmente glorificada e tendo em seu regaço materno toda a humanidade. Ouçamos – é comovente: “Vi um n ovo céu e uma nova terra… O primeiro céu e a primeira terra passaram e o mar já não existe” – o Senhor nos promete um mundo renovado, sem a marca do pecado, simbolizado pelo mar. “Vi a Cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, vestida qual esposa enfeitada para o seu marido”. – É a Igreja, totalmente renovada pela graça de Cristo, totalmente Esposa, numa eterna aliança de amor, realizada na Páscoa e consumada no fim dos tempos! “Esta é a morada de Deus entre os homens. Deus vai morar no meio deles. Eles serão seu povo, e o próprio Deus estará com eles”. – A Igreja é o “lugar”, o “espaço” onde o Reino acontece visivelmente: Deus, em Cristo, habita no nosso meio e será sempre “Deus-com-eles”, Deus-conosco, Emanuel! “Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, nem morte, porque passou o que havia antes. Aquele que está sentado no trono disse: ‘Eis que eu faço novas todas as coisas’”.

Caríssimos, olhem para mim, olhem-se uns para os outros! Somos a cara da Igreja, o cheiro da Igreja, a fisionomia da Igreja, a fraqueza e a força, a fidelidade e a infidelidade, a glória e a vergonha da Igreja! Tão pobre, tão frágil, tão deste mundo… mas também tão destinada à glória, tão divina, tão santa, tão católica, tão de Cristo! Coragem! Vivamos profundamente nossa vida de Igreja; é o único modo de ser cristão como Cristo sonhou! Soframos as dores e desafios da Igreja agora, para sermos partícipes da vitória que Cristo dará a Igreja na glória! Como diz o Apocalipse, “estas palavras são dignas de fé e verdadeiras”. Amém.

(Autoria: D. Henrique Soares da Costa)

O Evangelho de João de hoje (Jo 13,31-33a.34s)nos apresenta o contexto da última ceia de Jesus e o seu desejo de perpetuar a sua presença e o seu amor na comunidade dos seus seguidores. Ele faz isso na forma de memória e deixando um testamento espiritual: o mandamento novo. Qual a novidade do mandamento que o Senhor instituiu?
O amor ao próximo, o respeito ao semelhante já eram práticas milenares de culturas anteriores a Cristo.
A novidade está em Jesus fazer do Amor ao Próximo um critério de vida a partir do seu exemplo: "Amai-vos uns aos outros COMO EU VOS AMEI". Isto quer dizer que o nosso amor deve ser o prolongamento do amor de Jesus.
Não raras vezes temos a tentação de amar aqueles que nós gostamos, aqueles que não fazem mal ou falam mal de nós. Nós queremos escolher aqueles que amamos e aqueles que não amamos.
Nossa fé cristã não admite tal postura. Ou amamos a todos indistintamente, como Cristo ou então brincamos de amar. O amor que Cristo nos deixam na forma de herança não retém nada para si, nada guarda para si. É o amor que respeita a liberdade e a arbitrariedade do outro, inclusive daquele que o traiu. Um amor que se coloca a serviço dos outros.

Oxalá possamos dar testemunho desse amor. Só ele poderá fazer a diferença em nossa vida e na vida das pessoas. E Cristo continuará vivo em nós... Testemunhemos e anunciemos a vida nova e o seu amor incondicional!


Para refletir nesta semana:

Tenho amado as pessoas com a mesma intensidade com que Cristo me amou e continua me amando? Ou tenho colocado restrições para amar as pessoas?

terça-feira, 27 de abril de 2010

1º DE MAIO: DIA DO TRABALHADOR


1º de maio vem chegando, é propício refletir a importância e a dimensão que o trabalho tem em nossa vida cristã. Boa reflexão para você amigo (a) internauta:

O trabalho é lei da vida.

Em a natureza tudo trabalha...

Trabalham os vermes na intimidade da terra, tornando-a fofa e produzindo o humus nutriente para alimentar as plantas.

Trabalham os pássaros, na construção dos próprios ninhos e na disseminação do pólem das flores.

Trabalham as flores, doando seu perfume ao ar e permitindo o nascimento dos frutos.

Trabalham os insetos, polinizando as flores e desempenhando a parte que lhes cabe na estrutura do ecossistema.

Trabalham também os rios, fertilizando o solo e dessedentando homens e animais.

Trabalham as nuvens, fornecendo a chuva que rega as plantas e purifica a atmosfera.

Trabalham as árvores, abrindo seus galhos quais braços fraternos, acolhendo os ninhos e fazendo sombra na caminhada dos homens.

Trabalha igualmente o Sol, estrela incansável que jamais deixa de estender seus raios quentes, espancando as trevas e favorecendo a vida.

Trabalha a Lua, controlando as marés e deslumbrando os olhares apaixonados dos namorados, que sonham um dia poder oferecê-la a alguém em nome do amor.

Trabalham os oceanos, abrigando na intimidade várias formas de vida e transportando, em suas ondas, as embarcações, permitindo a ligação entre os Continentes.

Trabalha também o vento, acariciando com igual doçura os carvalhos gigantes e as pequeninas hastes da relva.

Tudo em a natureza trabalha...

E trabalham também os homens...

Quem aceitaria, de boa vontade, ser um caniço mudo e surdo quando tudo o mais canta em uníssono?

Mas todo trabalho é vazio, exceto quando há amor...

É pelo trabalho que nos unimos a nós mesmos, unindo-nos uns aos outros e a Deus.

E o que é trabalhar com amor?

É tecer o tecido com fios desfiados do nosso próprio coração, como se nosso bem-amado fosse usar esse tecido.

É construir uma casa com afeição, como se nosso bem-amado fosse habitar essa casa.

É semear as sementes com ternura e recolher a colheita com alegria, como se nosso bem-amado fosse comer os frutos.

É por em todas as coisas que fazemos um sopro da nossa alma...

Quando trabalhamos com amor, somos como uma flauta através da qual o murmúrio das horas se transforma em suave melodia, espalhando notas de alegria no ar, contagiando tudo o que nos rodeiam.


A câmara fotográfica nos revela por fora, mas o trabalho nos retrata por dentro.

Em tudo aquilo que façamos, na atividade que o Senhor nos haja oferecido, estamos colocando nosso retrato, nossa marca registrada.

E quando o trabalhador converte o trabalho em alegria, o trabalho se transforma na alegria do trabalhador.

Pensemos nisso!


O Profeta, de Gibran Kalil Gibran, cap. O trabalho e Sinal Verde, caps. 17 e 18)

PARTICIPE DA MISSA DOS TRABALHADORES

ÀS 18h30 iniciando na comunidade Imaculada Conceição (Jd Bernadete) em procissão até a Igreja de Santa Luzia. Vamos rezar suplicando a intercessão de São José Operário, padroeiro dos trabalhadores e trabalhadoras!

domingo, 25 de abril de 2010

DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES


Rezemos neste dia Mundial de Oração pelas Vocações:

Senhor da messe
e pastor do rebanho,
faz ressoar em nossos ouvidos
o teu forte e suave convite:
"Vem e segue-me"!
Derrama sobre nós o teu Espírito,
que Ele nos dê sabedoria
para ver o caminho
e generosidade
para seguir a tua voz.

Senhor,
que a messe não se perca
por falta de operários.
Desperta as nossas comunidades
para a missão.
Ensina a nossa vida
a ser serviço.
Fortalece os que querem
dedicar-se ao Reino,
na vida consagrada e religiosa.

Senhor,
que o rebanho
não pereça por falta de pastores.
Sustenta a fidelidade
dos nossos bispos,
padres e ministros.
Dá perseverança
aos nossos seminaristas.
Desperta o coração
dos nossos jovens
para o ministério pastoral
na tua Igreja.

Senhor da messe
e pastor do rebanho,
chama-nos para o serviço
do teu povo.
Maria, Mãe da Igreja,
modelo dos servidores do Evangelho,
ajuda-nos a responder "sim".

AMÉM!

DOMINGO DO BOM PASTOR


Neste 4º DOMINGO DA PÁSCOA celebramos o DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES. A Igreja nos convida a contemplar a imagem viva de Cristo - Bom Pastor - que dá a vida pelas ovelhas. Ele é Bom Pastor que conhece, ama e cuida das ovelhas. Cura as que estão feridas e reconduz ao bom caminho aquelas que extraviaram.
Em tempos de lobos vestidos em peles de ovelhas, é preciso discernir a voz do Pastor. Faz-se necessário escutar a voz do Pastor que chama as ovelhas pelo nome e pede que elas sigam a sua voz.
A imagem do pastor, muito comum junto ao povo de Israel , é distante para nós. Grande parte da terminologia bíblica emprega a linguagem rural, enfocando os aspectos da vida do campo e os fenômenos da natureza. As pessoas a quem estes escritos foram originalmente dirigidos eram, em sua maioria, gente simples, de vida nômade, sempre em contato com a natureza, rodeada pela atmosfera livre dos campos.
Querendo penetrar nas riquezas do conteúdo bíblico da imagem do pastor, buscaremos conhecer mais a fundo o trabalho, as alegrias e dificuldades de um pastor, a fim de podermos entender melhor porque Jesus escolheu esta imagem para revelar a grandeza do seu amor e, consequentemente, vamos nos sentir mais comprometidos e responsáveis na missão de pastorear com Jesus e como Jesus.
Que o Senhor nos anime na busca de compreensão da missão do pastor, levando-nos a sentir a alegria e ao mesmo tempo a responsabilidade de pastorear o rebanho que Ele nos confiou.

As funções do pastor bíblico

Antes da formação literária do AT, a atribuição do título de pastor à divindade já era conhecida na cultura egípcia e na mesopotâmica. Um hino egípcio que celebra o Sol como bom pastor da humanidade, assim se expressa:
“Tu és bom para cada um, tu, pastor, que conheces a compaixão, que escutas o grito de quem te chama, que volves o coração e fazes vir a brisa”.
Estes elementos nos ajudam a entrever a riqueza da concepção teológica e da experiência espiritual dos povos do antigo oriente médio em face do deus-pastor. A originalidade de Israel supõe essas expressões das culturas vizinhas. O AT, por assim dizer, relê na Torá, nos Profetas e nos Salmos essa teologia comum aos povos da região.
No AT, o título de pastor aplicado a Javé é certamente antigo: Gn 49,24 (J); 48,15 (E), porém, raramente usado: apenas quatro vezes! Frequente é a terminologia pastoril referida a Javé, e os verbos que indicam as funções do pastor.
É como pastor que Ele vai à frente do seu rebanho (Sl 68,8), e o guia (Sl 23,3), o conduz (Is 40,11; Sl 23,2) às pastagens (Jr 50,19), aos lugares de repouso junto às fontes (Sl 23,3), o protege com o cajado (Sl 23,4), chama as ovelhas dispersas (Zc 10,8), as reúne (Is 56,8), carrega os cordeiros nas dobras de seu manto, conduz lentamente as ovelhas que amamentam (Is 40,11). Especialmente no Salmo 23, a imagem do bom pastor atribuída a Javé atinge o auge de seu significado: é a que melhor exprime o quanto Israel se sente seguro junto ao seu Deus.

a) Conduzir e providenciar alimento

No Oriente, o pastor é aquele que “caminha à frente” das ovelhas. O verdadeiro pastor é aquele para quem nenhum problema é grande demais, no que diz respeito ao cuidado pelo rebanho. É um criador que sobressai em seu amor pelo rebanho - ama todas as ovelhas por elas mesmas. Ele reconhece que as ovelhas exigem um cuidado imenso,e se for preciso, trabalha por elas as 24 horas do dia. A sua recompensa está em ver as ovelhas alimentadas, seguras, crescendo sob seus cuidados. Por isso, o pastor não poupa esforços, dificuldades e trabalhos no sentido de conduzi-las com segurança .
Os verbos conduzir e guiar, teologicamente, indicam a profunda experiência que Israel fez de ser guiado e conduzido por Deus. O núcleo dessa experiência é o Êxodo do Egito: “Conduziste com a tua misericórdia este povo que redimiste e o guiaste com tua força para a tua santa morada” (Ex 15,13).
Embora já nas tradições que se referem ao patriarca Jacó (Gn 48,15 e 49,24s) Deus apareça como guia no caminho, são contudo os Salmos que revelam toda a riqueza dessa concepção: 23; 28; 48; 77; 78; 80 . “Javé é meu pastor... Guia-me para águas tranquilas, conduz-me por caminhos de justiça por causa do seu nome” (Sl 23,2-3).
Ligada à tarefa de conduzir, outra função importante para o pastor é providenciar o alimento. Apascentar significa procurar e prover alimento(pastagens), água, enfim , encontrar os caminhos que asseguram a vida do rebanho. A nível teológico, esta função do pastor configura o conceito de providência. O Senhor é o pastor que se preocupa com a vida de seu rebanho. O Sl 23 expressa toda a confiança que o povo tem em Javé que provê: “O Senhor é meu pastor , nada me falta”.
Já na peregrinação pelo deserto, o milagre do maná e das codornizes (Ex 16,12s) é conteúdo da memória histórica de Israel. Este fato está na raiz do v. 5 do Sl 23: Israel sabe que o Senhor é quem lhe prepara uma mesa no deserto. É por isso que se sente rebanho do pasto de Javé: Sl 74,1; 79,13; 95,7; 110,3.
Nos profetas, encontramos o pastor que provê em Is 14,30; 49,9-10; Ez 34,14s; Sf 2,7. “Apascentá-las-ei em um bom pasto. Sobre os altos montes de Israel terão as suas pastagens.Aí repousarão em um bom pasto e encontrarão forragem rica sobre os montes de Israel”(Ez 34,14s).
As ovelhas são, reconhecidamente, criaturas que observam hábitos. Se entregues a si mesmas, seguirão sempre os mesmos caminhos até que estes se tornem gastos. Pastam nas mesmas colinas até que elas fiquem destituídas de vegetação e infestadas de parasitas , de todos os tipos. O resultado final é que tanto a terra se torna imprestável, como o proprietário fica arruinado e o rebanho magro e doente. O melhor recurso de que o pastor pode lançar mão na criação das ovelhas é mudar sempre de pasto. Essa medida evita que o capim seja destruído por pastarem demasiadamente. Evita também que a formação de sulcos nos trilhos por onde caminham sempre, cause erosão da terra, pelo excesso de uso. Ademais, previne a recontaminação das ovelhas pelos seus próprios vermes e enfermidades, já que elas se mudam dos terrenos poluídos antes que esses organismos completem seu ciclo de vida.
O Senhor é o pastor que me conduz, nada me falta!
As ovelhas se desenvolvem bem em terrenos secos e semi-áridos, porém elas precisam de água. O organismo de uma ovelha tem 70% de água, em média. A água , portanto, determina a vitalidade, a força e o vigor da ovelha, sendo essencial ao seu bem estar geral e saúde. Se o suprimento de água para o animal diminui, começa a desidratação, que pode implicar em que o animal fique fraco e debilitado.
Através da sede, o animal indica a necessidade que o organismo está sentindo de água, a ser suprida por uma fonte externa. Quando as ovelhas estão sedentas, tornam-se inquietas, e partem à procura de água para se satisfazerem. Se não forem conduzidas às verdadeiras fontes, muitas vezes acabarão abeberando-se em poças poluídas, onde contraem vermes causadores de doenças. Daí a função do pastor de providenciar a água pura para o rebanho.
Para as águas tranquilas me conduz e restaura as minhas forças!
Outro modo da ovelha receber a água pura acontece através da relva orvalhada. Quando não faz muito calor, as ovelhas podem passar meses a fio quase sem beber água, desde que ela coma relva orvalhada da manhã. As ovelhas têm o hábito de despertar bem cedo e começar a pastar. E quando o luar está claro, pastam à noite. Nas primeiras horas do dia, a vegetação ainda está coberta de orvalho, e o rebanho se mantém com a quantidade de líquido ingerida juntamente com a relva, quando pasta antes do amanhecer.
Naturalmente, o orvalho é fonte de água pura e limpa. E não há ilustração mais resplendente das águas tranquilas do que as gotinhas prateadas de umidade pesando nas folhas e na relva, ao nascer do dia.
O bom pastor, o criador dedicado, providencia para que seu rebanho saia logo cedo, e vá pastar nesta relva molhada de orvalho. Talvez isso signifique que ele próprio tenha que levantar-se também para sair com elas. Seja no pasto da fazenda ou nas pastagens das montanhas, ele deve cuidar para que suas ovelhas comecem a pastar cedo.
Os países possuidores dos maiores rebanhos de ovinos localizam-se em regiões áridas e semi-áridas. A maioria das raças de ovelhas prospera melhor nesse tipo de terreno. Nesses lugares onde o clima é seco, elas se acham menos expostas a problemas de saúde e a parasitas. Mas nestas regiões, também , não é natural nem comum encontrarem-se pastos verdejantes. Na Palestina, por exemplo, a terra é seca, estéril e desértica.
Os pastos verdejantes não surgiam como que por encanto. Resultavam de um labor intenso, mais o emprego de tempo e habilidades no lavrar a terra. Tinham que limpar o solo árido e áspero; arrancar espinheiros, raízes e tocos de árvore; arar profundamente e preparar o solo; semear e plantar grãos e ervas especiais; irrigar e cuidar das plantações de forragem que iriam servir para alimentar o rebanho.
Tudo isso implicava em muito trabalho bem como no emprego de tempo por parte do pastor diligente. Se ele quisesse que as ovelhas desfrutassem de pastos verdejantes por entre as colinas ressequidas e estéreis, teria que trabalhar muito.
Mas para haver sucesso na criação de ovelhas, é essencial que se tenha pastos verdejantes. Quando os cordeiros estão crescendo e as fêmeas precisam de relva verde e suculenta para produzir um leite gordo, nada substitui o pasto. Nenhum espetáculo é mais grato ao coração do criador do que ver seu rebanho, depois de bem alimentado até a satisfação plena, deitar-se para descansar e ruminar e se desenvolver.
Um fato estranho com relação às ovelhas é que, por sua própria constituição, é quase impossível repousarem se não lhes forem satisfeitas quatro condições.
. Devido à sua timidez, elas se recusam a deitar-se a não ser que estejam plenamente tranquilos e sem temores.
. Por causa de seu comportamento social, no grupo do rebanho, não se deitam enquanto houver quaisquer atritos com outras ovelhas.
. Se estiverem sendo importunadas por moscas e parasitas, também não se deitarão. Só conseguem relaxar quando estão livres dos insetos.
. Por último, as ovelhas não se deitam enquanto estiverem com fome. Precisam estar bem alimentadas para fazê-lo.
Somente a presença do pastor pode proporcionar-lhes esta tranquilidade, livrando-as de suas ansiedades, a fim de que possam repousar em pastos verdejantes.
Em verdes pastagens, Ele me faz repousar!
Tudo isso o Senhor realiza por nós. Dizer que o Senhor é o pastor que me conduz nos bons caminhos e para as águas tranquilas, é deixar-se orientar por Ele, sentir-se objeto de seu interesse e cuidado intenso, é sentir-se membro do seu rebanho, ser da sua propriedade. Agora, dizer que eu sou pastor com o Senhor é uma grande responsabilidade, pois devo conduzir pelos bons caminhos e para as águas tranquilas o povo de minha paróquia, que o Senhor que confiou. Num rebanho, a sorte de uma ovelha, de um cordeiro, depende grandemente do tipo de pessoa que é o seu pastor. Pois, o verdadeiro pastor deve se empenhar constantemente pelo rebanho, se quer que ele cresça e se desenvolva. As ovelhas não cuidam de si mesmas, como supõem alguns. Mais que qualquer outro tipo de criação, elas exigem atenções infindas e cuidados meticulosos. O rebanho que o Senhor me confiou, pode se dizer um rebanho de sorte porque eu sou o pastor, que representa o próprio Deus e que se dedica pelo seu crescimento?
Não foi por acaso que Deus resolveu chamar-nos de seus cordeiros e ovelhas. O comportamento do ser humano é semelhante ao do rebanho sob muitos aspectos, como temores, timidez, teimosia, insensatez, insegurança, hábitos perversos. Apesar de todas essas características, que temos em maior ou menor escala, o Deus-Pastor nos ama, nos chama pelo nome, nos torna sua propriedade, se alegra em cuidar de nós e nos convida a ser pastores com Ele.

b) Vigiar, defender, libertar do perigo

Estes verbos refletem a segunda característica marcante da ação do pastor. “De dia, o pastor é guia. De noite, guarda. Enquanto as ovelhas dormem, ele vigia”.
Esta função de defesa e proteção diante do perigo se amplia quando acontece de alguma ovelha se perder: o pastor volta e vai seguindo o seu rastro, chamando até encontrá-la. No plano teológico, a imagem de Deus guarda e defensor se afirma como “aquele que não dorme nem cochila”, vigilante para que nenhum perigo ponha em risco a segurança de seu povo.
Neste sentido, a Bíblia apresenta uma originalidade perante as concepções religiosas do Egito e da Mesopotâmia. Javé é o pastor que não somente reúne o seu rebanho (no Egito, as ovelhas estão presentes ao Deus que das alturas atinge a todos com os seus raios, que são suas mãos: neste sentido, ele as reúne), Javé procura. Especialmente no cap. 34 de Ezequiel, todo ele dedicado ao tema do pastoreio, uma das acusações aos maus pastores de Israel é esta: “Não procurastes a ovelha perdida”. Javé, ao contrário, envolve-se pessoalmente, desce, não permite que o rebanho se disperse. “Irei à procura da ovelha perdida” (v.16).
Além de procurar, e de procurar até encontrar (Ez 34,11), Javé é aquele que liberta, que tira as ovelhas extraviadas dos lugares de dispersão e de escravidão.
Jr 23,3 tem diante dos olhos a dispersão do povo, causada pela irresponsabilidade e pela ineficiência dos últimos reis de Judá, que causaram a derrota e deportação para a Babilônia. Por isso, não se trata mais de tirar o povo da escravidão do Egito, mas de tirá-lo da dispersão em que se encontra. Não é possível contar com os guias políticos e religiosos. É o Senhor mesmo que intervirá para realizar um novo Êxodo: “Eis que os trago do país do Norte, reúno-os dos confins da terra” (Jr 31,8).
Esta ação congregadora tem em vista salvar o rebanho, cume do processo de libertação: “Em seus dias, Judá será salvo e Israel habitará em segurança”(Jr 23,6a).
Também o Sl 121, através da imagem do Deus-guarda, salienta esta dimensão do sentir-se seguro junto de Javé:
“Não te deixará tropeçar, o teu guarda jamais dormirá! Sim, não dorme nem cochila o guarda de Israel. Javé é teu guarda... Javé te guarda de todo mal, Ele guarda a tua vida.
Javé guarda a tua partida e chegada, desde agora e para sempre”(vv.3-8). Nesta tarefa de vigiar, defender e libertar do perigo, o pastor enfrenta dificuldades, pois as ovelhas são caracterizadas como animais muito medrosos, que se assustam com facilidade. Até um coelho, que salta de repente por detrás de uma moita, pode provocar um estouro do rebanho. Quando uma ovelha assustada dispara a correr, dezenas de outras ovelhas saltarão com ela, num terror cego, sem procurar ver o que provocou o susto. Por isto, o que mais tranquiliza o rebanho é ver o pastor no campo. Ele é quem proporciona as condições adequadas para as ovelhas descansarem com segurança, através de sua presença.
O verão é a época em que as ovelhas são tiradas do aprisco e conduzidas aos pastos verdejantes, às aguas tranquilas, pelos vales das montanhas até aos pastos do planalto. Contudo, nesta época também podem surgir perturbações, pois é no verão que as ovelhas são atacadas por moscas e carrapatos, que podem lhes trazer infecções e sarna. Os pequeninos insetos ficam a voejar ao redor da cabeça da ovelha tentando depositar os ovos na mucosa úmida da narina do animal. Se isto acontece, provoca uma irritação intensa, acompanhada de inflamação, podendo levar a ovelha à cegueira. Quando atormentadas por insetos, as ovelhas ficam sempre em pé, sacudindo as pernas, abanando a cabeça, sempre querendo correr em busca de alívio.Somente uma atenção constante, por parte do pastor, para o comportamento dos animais pode prevenir as dificuldades que surgem nesta época de moscas. Ele deve aplicar um antídoto na cabeça do animal, feito de óleo de linhaça, sulfa e alcatrão, a fim de defendê-lo da infecção. Essa providência opera uma transformação nos animais, trazendo uma mudança imediata em seu comportamento. Desaparecem a importunação, inquietação, a irritabilidade e o desassossego.
O verão, para as ovelhas, não é apenas a época de moscas, mass também de sarna, causada por um parasita pequenino, microscópico, que prolifera na época do calor, e espalha pelo grupo, passando de um animal infectado para outro. Nesse caso, também, como no das moscas, o único remédio eficaz é a aplicação, em todo o corpo do animal, do óleo de linhaça com sulfa e outras substâncias químicas que podem contralar essa alergia. Cada animal deve ser coberto por essa solução especial, de modo que todo o corpo fique bem molhado. A parte mais difícil é a cabeça, que deverá ser mergulhada diversas vezes, assegurando-se de que a sarna foi eliminada. Muitos pastores têm grande cuidado, e fazem o tratamento da cabeça à mão.
Unges-me a cabeça com óleo...
Outro fato que dificulta a vida do pastor está na tensão, rivalidade e disputa dentro do próprio rebanho. Em geral uma ovelha mais velha e dominadora se arvora em líder do grupo das ovelhas. Ela mantém sua posição de prestígio com marradas, isto é, empurrões com a cabeça e com os ombros, expulsando as outras das melhores partes dos pastos ou de um recanto predileto. Sucedendo a essa ovelha numa ordem precisa, seguem-se os outros animais, todos estabelecendo e mantendo uma posição exata no rebanho pelo emprego das marradas e empurrões, contra aquelas que se acham abaixo ou são mais fracas e menores.
Este mecanismo é retratado de forma viva em Ez 34, 20-21: “Assim diz o Senhor Javé: vou me colocar como juiz entre a ovelha gorda e a ovelha magra. Com as ancas e os ombros, vocês empurram as ovelhas mais fracas e ainda lhes dão chifradas, até expulsá-las para longe”.
Por causa deste senso de rivalidade e competição pela posição melhor, existe o conflito no rebanho, que impede às ovelhas de repousarem tranquilamente. Mas quando o pastor aparece, o rebanho nota a sua presença, esquece a rivalidade e pára de lutar.
Esta realidade também pode ser aplicada à nossa vida paroquial e presbiteral. Quanta competição, desentendimento e busca de prestígio existe entre nossos paroquianos? Quantas vezes vivemos a rivalidade buscando uma posição melhor, mais cômoda e tranquila, querendo sobressair sobre os outros, julgando-nos melhores que os outros? Sem o perceber, acabamos assumindo a mentalidade e as atitudes competitivas do mundo, caindo nas malhas da busca do poder, para ter e viver em prazer.
Neste rebanho onde Cristo é o Pastor e nós somos membros do seu rebanho, somente a busca sincera de conversão a Ele e ao seu Evangelho, pode nos dar a segurança e nos fazer viver em unidade.
Neste rebanho, com Cristo, nós somos chamados a ser pastores. Por isso, também nós devemos ouvir com atenção aquilo que o próprio Deus fala aos pastores em Ez 34, procurando analisar a nossa conduta, reconhecendo nossas falhas e buscando uma sincera conversão.
Neste relato de Ez 34 , as críticas são dirigidas aos maus pastores. O mau pastor é aquele que julga que as ovelhas não precisam de cuidados, que é suficiente colocá-las no pasto, pois elas pastam por conta própria, como queiram. Isso torna as ovelhas presa fácil de lobos, onças e cães. O mau pastor não se importa em providenciar abrigos para protegê-las nas tempestades, nem se preocupa se elas têm que mascar relva seca no inverno, ou por estarem bebendo água poluída e barrenta. Tudo isso deixa as ovelhas doentes e fracas. Porque é mau pastor, ele ignora a carência de suas ovelhas e até sorri porque elas estão destinadas ao matadouro e não precisam de muita atenção.
São palavras muito duras e diretas dirigidas a esses maus pastores e que hoje devem servir para nós de exame de consciência sobre a nossa missão de pastorear com Cristo. Ouçamos o que o Senhor nos diz em Ez 34, 1-10.
Santo Agostinho referindo-se aos mercenários, maus pastores, tem palavras não menos duras que o profeta Ezequiel, quando diz: “existem alguns na Igreja que foram revestidos de autoridade, dos quais o apóstolo Paulo fala: buscam os próprios interesses e não os de Cristo (Fl 2,21). O que quer dizer: buscam os próprios interesses? Quer dizer que o seu amor por Cristo não é desinteressado, não buscam a Deus por Deus; buscam vantagens e comodidade temporal, são ávidos de dinheiro, desejam as honras terrenas. Estes, que amam tais coisas e por elas servem a Deus, são os mercenários; não podem se considerar filhos”. (Tratado sobre João 46,5s).
Que estas duras palavras de Ezequiel e Agostinho não venham nos amedrontar, mas nos ajudar na conscientização de nossas fraquezas e omissões pastorais, despertando nova luz para a realidade do pecado, que é sempre um convite à conversão e à acolhida da misericórdia.

CLIPE CATÓLICO DO MÊS